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Soja e milho podem superar US$ 12 e US$ 5 em Chicago com efeitos do El Niño, diz BTG

08 ago 2026, 8:30
Sementes de soja e milho no Brasil
(iStock.com/Alfribeiro)

Depois de meses com o clima dos Estados Unidos no centro das atenções do mercado de grãos, investidores começam a mudar o foco para a América do Sul. Com a perspectiva de uma oferta confortável no país e preços pressionados, o principal risco para soja e milho passa a estar no desenvolvimento da safra brasileira e argentina, especialmente diante da possibilidade de intensificação do El Niño.

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Para Vitor Novaes, analista de commodities do BTG Pactual, o mercado está justamente atravessando essa transição. Segundo ele, as boas projeções para a safra norte-americana continuam limitando uma reação das cotações, mas a atenção deve se voltar para o plantio brasileiro a partir do fim de agosto e início de setembro.

“É exatamente esse momento que a gente está agora, numa transição de parar de olhar para o mercado climático estadunidense e começar a olhar aqui para o Brasil”, afirmou Novaes.

Atualmente, a soja é negociada na faixa de US$ 11,76 por bushel (contrato novembro de 2026), enquanto o milho está próximo de US$ 4,50 por bushel. Segundo o analista, as previsões de chuvas para os próximos dias e temperaturas menos extremas nos Estados Unidos reduziram o prêmio climático embutido nos preços.

Com isso, os contratos futuros de soja e milho chegaram a mínimas de aproximadamente cinco semanas. Embora algumas regiões produtoras norte-americanas tenham apresentado deterioração nas condições das lavouras, Novaes avalia que os problemas permanecem localizados e não devem comprometer a oferta do país no segundo semestre.

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“Isso não vai restringir a oferta como um todo para o segundo semestre desse ano”, disse.

El Niño é principal risco para a soja e o milho

Na avaliação de Novaes, o principal fator de risco para o mercado nos próximos meses é uma eventual intensificação do El Niño.

O fenômeno climático pode provocar alterações no regime de chuvas brasileiro durante o início do plantio da soja. Um dos principais problemas, segundo o analista, não seria necessariamente uma perda direta de produtividade da oleaginosa, mas um atraso no calendário agrícola.

Isso poderia comprimir a janela para o plantio da segunda safra de milho em 2027 e, consequentemente, afetar a oferta brasileira da próxima temporada.

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Além do Brasil, o mercado também deve acompanhar a evolução das condições climáticas na Argentina e na Europa. Na França, por exemplo, a deterioração do clima já representa um risco para a produção de milho.

Risco ainda não está totalmente nos preços

Apesar dos potenciais fatores de alta, os contratos futuros ainda refletem principalmente a perspectiva de uma oferta global confortável e estoques elevados.

Na prática, o mercado ainda não incorporou completamente uma eventual deterioração das safras sul-americanas provocada pelo El Niño, tampouco uma intensificação dos problemas climáticos na Europa ou uma aceleração das compras chinesas.

“Hoje, quando a gente olha as cotações dos contratos futuros, ele está mais refletindo essa ampla oferta global de grãos, estoques também elevados, ao invés de precificar essa possível deterioração das safras sul-americanas”, explicou Novaes.

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Segundo ele, caso algum desses fatores se agrave de forma significativa, há espaço para uma reação relevante das commodities.

A soja poderia superar os US$ 12 por bushel, enquanto o milho teria potencial para avançar para US$ 5 por bushel.

“Tudo depende de como foi o clima sul-americano nesse segundo semestre, principalmente aqui olhando para o Brasil e, em 2027, olhando milho safrinha”

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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