Por que as eleições estão “fazendo menos preço” no Brasil, segundo André Esteves, do BTG
Lula, Flávio Bolsonaro ou Ratinho Jr.? Para os investidores estrangeiros, tanto faz. A grande questão é se o Brasil continuará crescendo — e, de acordo com André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, os gringos acreditam que sim, independentemente do próximo presidente.
Durante sua participação no CEO Conference Brasil 2026, nessa quarta-feira (11), Esteves afirmou que a percepção geral dos investidores estrangeiros é de que o risco político no Brasil diminuiu.
Com isso, a escolha sobre quem ocupará a presidência deixou de ser o fator predominante para decisões de alocação no país. Segundo ele, independentemente do candidato A ou B, a projeção de crescimento para o Brasil é a mesma no médio e longo prazo.
“Na prática, as eleições estão fazendo menos preço. Isso é uma notícia formidável e deve ser muito celebrada”, disse.
Somente em janeiro, o Brasil recebeu R$ 26 bilhões em capital estrangeiro, um montante superior à entrada de todo o ano anterior. Esteves afirma que, em anos anteriores, um fluxo desse tamanho meses antes de um pleito seria impensável.
O banqueiro diz que o Brasil evoluiu para um nível institucional mais confiável — o que, para ele, demonstra que as instituições estão funcionando e cumprindo seu papel.
Ele brincou ao comparar o cenário brasileiro com o dos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump está processando Jamie Dimon, CEO do JP Morgan.
“Para você ver como as coisas no Brasil não estão ruins. O presidente Lula nunca me processou — e não vejo isso acontecendo no futuro”, disse, rindo.
Quem vai ganhar as eleições?
Para os gringos, quem será o próximo presidente do Brasil pode até não importar. Para os brasileiros, no entanto, importa — e muito.
Esteves vê o cenário eleitoral de 2026 como “grosseiramente” dividido em 50/50.
Ele avalia que Lula tem uma ligeira vantagem por ser o atual incumbente e pela força de seu histórico, mas que ambos os lados têm chances, com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal nome da oposição.
“A sociedade talvez esteja, do ponto de vista de valores, mais à direita. A eleição deve ser muito competitiva, indefinida até o final”, afirmou.
Além da corrida presidencial, o banqueiro vê também uma disputa intensa pelas cadeiras na Câmara e no Senado.
Esteves considera o “grupo de centro ideológico” — o centrão — como o “fio terra” que mantém o país equilibrado. Para ele, foi esse centro que impediu que o Brasil “pendesse demais” para a direita ou para a esquerda nos últimos anos.
“Essa estrutura política nos protegeu, e isso é importante. Tem seu valor”, disse.