Por que Banco do Brasil (BBAS3) e BB Seguridade (BBSE3) caem forte nesta sexta?
Não durou o ânimo de investidores com o Banco do Brasil (BBAS3) após os resultados do quarto trimestre. Nesta sexta-feira (13), as ações da estatal caiam 3,80%, a R$ 25,04, por volta das 14h18. A BB Seguridade (BBSE3), sua seguradora, também figurava nas maiores baixas do Ibovespa, com queda de 3,83%.
A queda ocorre em meio ao mau humor do mercado. Outras ações de bancos também caem. Porém, no caso do BB e da BB Seguridade houve alguns agravantes, entre eles visões mais céticas de analistas com os papéis.
Mais cedo, o Goldman Sachs rebaixou a recomendação da seguradora de compra para neutra, com preço-alvo de R$ 38 para R$ 37. Para o Banco do Brasil, o banco até elevou o preço-alvo de R$ 21 para R$ 24, mas manteve a indicação de neutralidade.
No casso da BB Seguridade, a casa projeta queda de 1% nos prêmios emitidos em 2026, após retração de 9% em 2025.
A fraqueza deve persistir no seguro prestamista, com queda de 1% ano contra ano, ante retração de 15% em 2025, enquanto o seguro rural pode recuar 4%, após queda de 11% no ano anterior, refletindo tendências mistas entre seguro agrícola, penhor rural e vida prestamista para produtores rurais.
“Também tenho essa preocupação com o crescimento dos prêmios, só que mais no rural do que no prestamista. Essa linha é linkado ao financiamento imobiliário no BB, que deve continuar subindo por conta de várias entregas de empreendimentos residenciais (prédios) esse ano de 2026 e que foram lançados em 23/24”, disse o analista Flavio Conte, da Levante.
Banco do Brasil: sentimento misto
Nos relatórios da última quinta-feira, analistas davam sinais de que o resultado, apesar de acima do esperado, trazia qualidade ainda ruim e preocupante.
O Safra, por exemplo, lembrou que o resultado foi beneficiado por uma combinação de menores despesas de captação, contribuição positiva do Banco Patagonia, provisões inferiores à formação de novas perdas e um efeito tributário favorável, com imposto de renda positivo devido a maiores deduções.
Já a “pedra de salvação” do BB — a medida do governo para renegociação das dívidas do agronegócio — trouxe alívio relevante. Os R$ 22 bilhões em empréstimos renegociados até agora elevaram o Índice de Capital Principal em 144 pontos-base (bps).
Além disso, o Bradesco BBI destaca que as receitas com tarifas mostraram fraqueza e que a qualidade dos ativos voltou a se deteriorar, com o índice de inadimplência acima de 90 dias avançando para 5,2%.
As provisões ficaram em linha com as expectativas, mas a cobertura recuou cerca de 20 pontos percentuais, pressionada por um caso corporativo específico.