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Por que Braskem (BRKM5) salta mesmo com prejuízo bilionário no 4T23?

19 mar 2024, 12:44 - atualizado em 19 mar 2024, 14:31
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Papéis da Braskem têm alta forte nesta terça- (19) após reportar prejuízo bilionário no 4T23 (Imagem: Divulgação/Braskem)

As ações da Braskem (BRKM5) operam em alta de 4% nesta terça-feira (19), após dispararam mais de 6% mais cedo, após divulgar os resultados do quarto trimestre de 2023, no qual registrou prejuízo líquido de R$ 1,57 bilhão, montante 8% abaixo do visto um ano antes.

Com a alta de hoje, BRKM5 engata uma sequência de sete pregões seguidos de valorização.

Os resultados são vistos pelos analistas como “fracos” em meio ao cenário mais desafiador para o setor petroquímico. Porém, eles ressaltam a melhora gradativa nos números da Braskem.

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Braskem impactada por cenário negativo do setor

O analista da Guide Investimentos, Mateus Haag, destaca que a companhia continua sendo negativamente impactada pelo cenário mais negativo do setor. Entretanto, apesar das dificuldades, a companhia conseguiu entregar Ebitda acima das estimativas de mercado.

De outubro a dezembro, o indicador cresceu 14% ante o terceiro trimestre, ficando positivo em R$ 1,05 bilhão. O Ebitda do quarto trimestre de 2022 havia ficado negativo em R$ 168 milhões.

Apesar de tal momento do setor com preços e spreads permanecendo em níveis historicamente baixos, a analista de óleo, gás e petroquímicos da XP, Helena Kelm, e o head de energia e saneamento, Vladimir Pinto, veem uma ligeira melhora em alguns níveis desses indicadores, ao mesmo tempo em que veem a Braskem explorando algumas das vantagens competitivas de seus ativos.

“No entanto, acreditamos que é muito cedo para interpretar isso como uma reviravolta estrutural para o setor em 2024”, comentam Kelm e Pinto.

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Além disso, a equipe da XP também não vê reviravolta para o ciclo de preços do setor petroquímico, no qual o desempenho dos preços das ações acompanhará a evolução do grupo controlador.

Haag acrescenta que a companhia ainda tem posição de caixa de R$ 3,6 bilhões, o suficiente para cobrir sua dívida até 2030. Isso porque a Braskem tem 95% do seu endividamento no longo prazo (acima de 12 meses).

Apesar de achar os resultados fracos, conforme o esperado, mas com a Braskem exibindo um avanço gradual, a XP manteve a recomendação neutra para as ações preferenciais classe B (PNB) da companhia.

O risco de uma fusão e aquisição

Por outro lado, o analista do BB Investimentos, Daniel Cobucci, vê o desempenho da companhia nos três últimos meses de 2023 melhor que o esperado e em linha com as expectativas da instituição.

“A Braskem aproveitou-se de uma condição de ligeira melhoria no cenário de spreads de produtos petroquímicos e do reconhecimento de R$ 297 milhões com a apuração de créditos fiscais [REIQ]”, comenta.

Ele diz que enxerga a companhia com boas vantagens competitivas, em um setor estratégico e com boas perspectivas de demanda, mas em um momento setorial complicado.

“Além disso, encontra-se no meio de uma possível transação de fusão e aquisição, que pode ter resultados não tão favoráveis aos [investidores] minoritários”, reforça.

Sobre a disparada da ação, Cobucci observa que o mercado interpreta que a companhia fez bom proveito das condições mais favoráveis no quarto trimestre. Mas ainda projetando uma perspectiva de que não ocorra uma melhora substancial nos spreads no curto prazo.

O BB também manteve a recomendação neutra e preço-alvo de R$ 27 para este ano.

Repórter
Jornalista mineira com experiência em TV, rádio, agência de notícias e sites na cobertura de mercado financeiro, empresas, agronegócio e entretenimento. Antes do Money Times, passou pelo Valor Econômico, Agência CMA, Canal Rural, RIT TV e outros.
flavya.pereira@moneytimes.com.br
Jornalista mineira com experiência em TV, rádio, agência de notícias e sites na cobertura de mercado financeiro, empresas, agronegócio e entretenimento. Antes do Money Times, passou pelo Valor Econômico, Agência CMA, Canal Rural, RIT TV e outros.