Por que o BTG escolheu a Rede D’Or (RDOR3) como sua principal aposta em saúde em 2026
Em um setor ainda marcado por balanços pressionados, endividamento elevado e desafios de integração após anos de aquisições, uma companhia consegue nadar contra a corrente. Na avaliação do BTG Pactual, a Rede D’Or (RDOR3) reúne as melhores condições para atravessar esse período e capturar valor — motivo pelo qual segue como a principal recomendação do banco no segmento de saúde.
O BTG manteve a ação como “top pick”, com recomendação de compra, apostando na combinação entre escala, eficiência operacional e exposição a tendências estruturais que devem ganhar força nos próximos anos.
Segundo os analistas, poucos players no mercado brasileiro conseguem alinhar liderança regional, disciplina financeira e um pipeline de crescimento tão claro quanto o da Rede D’Or. Esse conjunto de fatores sustenta uma visão construtiva para os papéis, especialmente em um ambiente macroeconômico mais favorável, com juros em trajetória de queda.
O que sustenta a tese de compra da RDOR3
Na visão do BTG, as teses vencedoras no setor de saúde em 2026 devem passar por três grandes eixos: normalização da rentabilidade, avanço da consolidação e captura de tendências de longo prazo. A Rede D’Or aparece bem posicionada em todos eles.
A companhia opera hoje uma das maiores plataformas hospitalares do país, com 76 hospitais e 11.822 leitos distribuídos em 14 estados. Além da escala nacional, o grupo detém posições relevantes em mercados estratégicos, como o Rio de Janeiro, onde concentra cerca de um quarto dos leitos privados, e São Paulo, principal polo econômico do país.
Para o banco, o nível ainda baixo de concentração do setor — os três maiores grupos respondem por apenas cerca de 20% dos leitos privados — abre espaço para um novo ciclo de consolidação. Nesse cenário, empresas com acesso a capital, capacidade de integração e ganhos de eficiência tendem a sair na frente.
Outro vetor estrutural destacado pelo BTG é o envelhecimento da população. O avanço da faixa etária acima dos 60 anos deve sustentar a demanda por serviços hospitalares mais complexos, com maior tempo de internação e ticket médio mais elevado, favorecendo redes integradas e verticalizadas.
Oncologia ganha protagonismo na estratégia
A expansão da Rede D’Or no segmento de oncologia é apontada como um dos principais motores de crescimento da companhia. Hoje, o grupo já figura como o segundo maior operador de clínicas oncológicas ambulatoriais do país.
De acordo com as estimativas do BTG, o mercado endereçável de oncologia deve crescer cerca de 10% ao ano, ritmo superior à média do setor de saúde. Para os analistas, trata-se de uma frente com demanda estrutural, margens atrativas e potencial relevante de crescimento orgânico.
Margens, eficiência e balanço mais leve
No campo operacional, a Rede D’Or também se diferencia dos pares. Após um ciclo intenso de expansão, a empresa vem colhendo ganhos de eficiência, o que se traduz em margens superiores às observadas em outros grupos privados.
Na leitura do BTG, a expansão da lucratividade daqui para frente deve vir menos de crescimento acelerado e mais da captura dessas eficiências operacionais, mantendo margens Ebitda acima da média do setor.
O balanço reforça essa percepção. A companhia avançou no processo de desalavancagem, reduzindo a relação entre dívida líquida e Ebitda de 2,6 vezes no segundo trimestre para 1,54 vez no resultado mais recente.
Além da Rede D’Or
Embora a RDOR3 lidere as preferências do banco, o BTG também mantém outras companhias do setor sob cobertura. Ao todo, quatro nomes carregam recomendação de compra, enquanto outros seguem no radar, mas com abordagem mais cautelosa diante dos desafios ainda presentes na indústria.
Veja as recomendações dos analistas:
- Compra: Fleury (FLRY3), Hapvida (HAPV3), Blau (BLAU3) e iveo (VVEO3).
- Neutra: OdontoPrev (ODPV3), Dasa (DASA3), Hypera Pharma (HYPE3), Qualicorp (QUAL3), Mater Dei (MATD3) e Oncoclínicas (ONCO3).