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Pré-Mercado: Os investidores só querem saber dos dados americanos

George Wachsmann
28/01/2022 - 9:59
Procura-se: piloto para desviar de obstáculos – mais desafios para os mercados hoje / Trama Fantasma (2017)

Oportunidades do dia

Episódio 2 no ar: a tese foi revelada

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Bom dia, pessoal!

Lá fora, os mercados de ações asiáticos tiveram uma sexta-feira (28) mista, com os investidores à espera dos dados sobre os custos de emprego nos EUA, que podem influenciar as decisões do Federal Reserve sobre os aumentos planejados das taxas de juros em seus próximos encontros.

O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) é o dado mais acompanhado pelo Fed por já conseguir aderir bem às eventuais mudanças de padrão de consumo.

A Europa também amanheceu de mau humor, dando continuidade ao sentimento ocidental de aversão ao risco verificado na tarde de ontem (27), quando os mercados europeus já estavam fechados.

Os futuros americanos, por sua vez, conseguem esboçar uma alta nesta manhã, mas isso não quer dizer muita coisa, uma vez que a volatilidade tem se feito presente em todos os pregões, invertendo do negativo para o positivo e vice-versa com uma velocidade impressionante.

O Brasil tem conseguido se descolar bem deste mau humor global, com investidores estrangeiros sustentando a alta da Bolsa e a queda do dólar.

A ver…

Hoje é dia de resultado do Tesouro

Hoje, o Tesouro Nacional divulgará o resultado das contas do governo central de dezembro e do acumulado de 2021, evento que contará, às 15h, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que participa da coletiva para comentar os números.

O ano de 2021 foi positivo para o fiscal brasileiro, surpreendendo muitos economistas, fato que fará com que o ministro queira marcar sua presença.

Em paralelo, porém, os servidores federais anunciaram uma greve geral em reunião plenária nessa quinta-feira (27), na qual as entidades que compõem o Fórum das Entidades Nacionais de Servidores Públicos Federais (Fonasefe) demandam reajuste salarial de 19,99%.

A situação é tensa e promete pressionar o Palácio do Planalto com maior ênfase a partir da semana que vem, com o retorno dos trabalhos no Congresso.

Os investidores também acompanham a divulgação dos resultados do desemprego no último trimestre encerrado em novembro (Pnad Contínua Mensal).

No ambiente político, o presidente Jair Bolsonaro deve ser ouvido pela Polícia Federal sobre vazamento de dados sigilosos de ataque ao sistema interno do TSE, o que pode gerar um ruído adicional entre os Poderes, em especial o Executivo e o Judiciário.

Digerindo os dados de atividade

Nos EUA, a tensão de ontem foi catalisada ​​pelos dados do produto interno bruto americano no quarto trimestre, que mostraram uma taxa de crescimento anual de 6,9% no período, acima dos 5,5% que o mercado previa e maior do que o crescimento do terceiro trimestre (2,3%).

Em 2021, a expansão da economia dos EUA foi de 5,7%, a maior desde 1984. Contudo, algumas coisas chamam a atenção.

O crescimento melhor do que o esperado de outubro a dezembro foi impulsionado por fortes gastos do consumidor no início do trimestre e um aumento nos estoques no final. Adicionalmente, o surto de Covid-19 da ômicron pareceu não ter afetado muito a economia dos EUA.

Uma grande parte do crescimento de 6,9% do PIB no quarto trimestre veio da formação de estoques; isto é, varejistas e atacadistas estavam reabastecendo seus suprimentos após meses de demanda robusta e mercadorias difíceis de encontrar.

Adicionalmente, os dados mais fortes de economia pressionam mais a inflação, possibilitando mais margem para o Fed subir juros. A volatilidade veio desse entendimento.

As perspectivas daqui para a frente, portanto, podem não ser tão interessantes, tanto pela pandemia, como pelas pressões inflacionárias.

A temporada de resultados até agora superou as estimativas, mas o problema tem sido o guidance, que tem frustrado o mercado.

Gargalos bem conhecidos da cadeia de suprimentos, inflação de custos e escassez de mão de obra são as dores de cabeça mais comuns citadas pelas empresas. Se de fato tais fatores citados se confirmarem, os próximos trimestres podem ser piores.

O resultado da empresa mais valiosa no mundo

A Apple brilhou no after hours de ontem, subindo 4,3% depois de divulgar o seu balanço.

As vendas de fim de ano da Apple Inc. e os totais de lucro foram surpreendentes mais uma vez, e o CEO, Tim Cook, deu um guidance bom o suficiente para satisfazer Wall Street, mas não o suficiente para se sentir totalmente confortável.

O lucro atingiu quase US$ 35 bilhões em três meses e foi superior ao lucro líquido total da Amazon em 2019 e 2020 combinados.

A receita trimestral de US$ 124 bilhões foi mais do que a Apple fez em qualquer ano fiscal em suas primeiras três décadas como empresa pública, quebrando esse nível apenas em 2012.

Com isso, a Apple encerrou o ano registrando US$ 378 bilhões em 2021, acima dos US$ 294 bilhões em 2020.

Os números foram bons, principalmente se considerarmos que eles se deram em meio aos impactos da pandemia e da escassez de oferta.

Contudo, apesar de positivo, o desempenho não dá garantia de nada para Wall Street, que continua impressionando pelas ondas de volatilidade e tem hoje pela frente o desafio do PCE de dezembro.

Anote aí!

Hoje, lá fora, a semana se encerra com dados de confiança do consumidor na zona do euro.

A região já digere nesta manhã também a desaceleração do PIB francês no último trimestre de 2021, que não ajuda na performance ruim apresentada até aqui.

Nos EUA, serão divulgados dados de gastos pessoais, renda pessoal núcleo do PCE, além da confiança do consumidor Michigan.

Disso tudo, o fator mais importante deriva do PCE, o dado mais acompanhado pelo Fed.

Os números de renda e gastos dos EUA para dezembro devem balizar a tomada de decisão da autoridade monetária, bem como o índice de custo de emprego do quarto trimestre é de interesse do mercado, que teme pressões estruturais nos salários, fato que poderia gerar mais inflação.

No Brasil, a agenda é interessante, com a manhã lotada de dados relevantes, como IGP-M, a pesquisa Pnad Contínua e dados do crédito no país.

À tarde, investidores acompanham a coletiva do Tesouro Nacional, em Brasília.

Muda o que na minha vida?

Os próximos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim serão os primeiros a contar totalmente com neve artificial para suas pistas de esqui e snowboard.

Isso porque nunca neva realmente em Yanqing e Zhangjiakou, os dois locais definidos para sediar os eventos. Uma solução brilhante.

A partir da semana que vem o mundo começa a acompanhar o evento que guarda dois desdobramentos para os mercados:

i) é por conta dele que a China tem sido mais enfática no controle da pandemia; e

ii) notícias sinalizam que uma eventual invasão da Ucrânia pela Rússia poderia acontecer somente depois do fim das Olimpíadas.

Ou seja, os mercados, desta vez, estarão interessados em acompanhar cada um dos dias do evento, em compasso de espera para o seu final.

Se a China abandonar sua política de “zero Covid” com o final da celebração esportiva, os mercados podem se animar com maior atividade do gigante asiático.

Ao mesmo tempo, as tensões geopolíticas ensejam cautela sobre o continente eurasiano.

Um abraço,

Jojo Wachsmann

Última atualização por Lucas Eurico Simões - 28/01/2022 - 9:59

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