Commodities

Preço do minério de ferro agora está mais “realista”

02 abr 2020, 9:35 - atualizado em 02 abr 2020, 9:35
Desde meados de março, os preços começaram a cair em meio à recuperação das exportações e avanço da pandemia, atingindo siderúrgicas no mundo todo (Imagem: Unsplash/@geroldhinzen)

Para o CRU Group, o preço do minério de ferro agora está em um nível mais sustentável após a onda vendedora provocada pela ameaça do coronavírus à demanda global enquanto a oferta permanece praticamente intacta.

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Cerca de US$ 80 a tonelada é um “preço muito mais realista”, segundo Erik Hedborg, analista sênior do CRU Group.“Os preços ficaram em torno de US$ 90 no primeiro trimestre e achamos que uma continuidade não era realista.

Foi quando vimos a mudança em março.” Embora a situação possa mudar muito rapidamente, os preços devem permanecer estáveis ou mostrar leve queda, disse.

O preço do minério de ferro conseguiu se segurar devido aos cortes de oferta, produção de aço elevada e apostas de estímulos na China, mesmo quando outras commodities, como o cobre, afundam este ano por causa do surto.

Desde meados de março, os preços começaram a cair em meio à recuperação das exportações e avanço da pandemia, atingindo siderúrgicas no mundo todo. Os preços de referência caíram cerca de 10% em duas semanas.

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Na China, embora a demanda esteja se recuperando, “a questão é até que ponto”, disse Hedborg em entrevista por telefone de Londres. A demanda por aço e exportações estão fracas, enquanto os estoques permanecem altos, disse. Com exceção da China, as siderúrgicas europeias tiveram o maior impacto na produção, avalia.

Ao mesmo tempo, a oferta de minério de ferro praticamente não foi afetada, com a maioria extraída na Austrália e no Brasil. Até agora, cortes em países como África do Sul e Canadá reduzirão o suprimento transoceânico em apenas 0,4%, de acordo com a Bloomberg Intelligence.

Ainda assim, a propagação do vírus na região que produz volumes significativos de minério de ferro no Brasil é acompanhada de perto, disse Hedborg. Há menos preocupação com mineradoras australianas, que se apoiam em trabalho remoto, automação e centros de saúde adequados, disse.

Outros mercados

Com a piora do surto fora da China, siderúrgicas são obrigadas a interromper ou diminuir a produção. A ArcelorMittal, a maior siderúrgica da Europa, nota ou espera uma retração significativa do setor e está reduzindo a produção.

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Nos EUA, cinco associações siderúrgicas solicitaram ao Congresso um projeto de lei de estímulo à infraestrutura.

“Siderúrgicas no mundo todo serão prejudicadas em todas as frentes pela pandemia de coronavírus, e esperamos que os preços e margens dos produtos diminuam no curto prazo”, disseram os analistas da Bloomberg Intelligence, Andrew Cosgrove e Grant Sporre. Eles projetam que a demanda por aço caia entre 10% e 15% nos EUA e na Europa e pouco mais de 3% na China este ano.

Como as usinas da Europa, Japão e Coreia do Sul cortam a produção, também há implicações nos fluxos de minério de ferro. Mais volumes podem ser redirecionados para a China, onde os preços à vista são determinados, o que traz risco de baixa para as cotações, disse Hedborg, do CRU.

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