Preços do petróleo caem 5% com desescalada entre EUA e Irã
Os preços do petróleo caíam quase 5% nesta segunda-feira (2) e caminhavam para a maior queda em uma única sessão em mais de seis meses, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o Irã estava “falando seriamente” com Washington, sinalizando uma desescalada com um membro da Opep.
Os contratos futuros do Brent recuavam US$ 3,38, ou 4,9%, para US$ 65,94 por barril às 05h28 GMT. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, caía US$ 3,33, ou 5,1%, para US$ 61,88 por barril.
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Ambos os contratos recuaram de máximas de vários meses, à medida que os riscos de um ataque militar ao Irã diminuíram após os comentários de Trump no fim de semana.
A queda também foi impulsionada por uma venda generalizada nos mercados de commodities, liderada por fortes perdas no ouro e na prata, que analistas atribuíram em parte ao fortalecimento do dólar americano.
Trump vinha ameaçando repetidamente o Irã com intervenção caso o país não concordasse com um acordo nuclear ou continuasse reprimindo manifestantes. As ameaças persistentes sustentaram os preços do petróleo ao longo de janeiro, disse Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova.
“O recente recuo também foi reforçado pela renovada força do dólar americano, que normalmente torna o petróleo cotado em dólar mais caro para compradores fora dos EUA, pressionando ainda mais os preços”, afirmou Sachdeva.
No sábado, Trump disse a repórteres que o Irã estava “falando seriamente”, horas depois de o principal responsável pela segurança do Irã, Ali Larijani, afirmar que os preparativos para negociações estavam em andamento.
Os comentários de Trump, juntamente com relatos de que as forças navais da Guarda Revolucionária do Irã não tinham planos de realizar exercícios com fogo real no Estreito de Hormuz, foram sinais de desescalada, disse o analista de mercado da IG, Tony Sycamore.
“O mercado de petróleo bruto está interpretando isso como um passo encorajador de afastamento da confrontação, reduzindo o prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços durante a alta da semana passada e provocando uma rodada de realização de lucros”, disse ele.
Em uma reunião nesta domingo (1), a Opep+ concordou em manter inalterada a produção de petróleo para março. Em novembro, o grupo havia congelado novos aumentos planejados de janeiro a março de 2026 devido ao consumo sazonalmente mais fraco.
“Os riscos geopolíticos mascaram um mercado de petróleo fundamentalmente baixista”, disse a Capital Economics em nota de 30 de janeiro.
“O exemplo histórico da guerra de 12 dias do ano passado (entre Israel e Irã), juntamente com um mercado de petróleo bem abastecido, continuará a pressionar os preços do Brent até o final de 2026”.