Mistério solucionado: Nobel de Química vai para descoberta relevante para a indústria farmacêutica
Os cientistas Henri Kagan e Kenso Soai ganharam o Prêmio Nobel de Química de 2026 por resolverem um enigma de longa data sobre como formar uma imagem espelhada de uma única molécula.
Trata-se de uma descoberta de enorme importância para a fabricação de produtos farmacêuticos, informou nesta quarta-feira (7) o órgão responsável pela concessão do prêmio.
“Este é o dia mais emocionante da minha vida, estou muito feliz por compartilhar este prêmio com o professor Henri Kagan”, disse Soai, falando por telefone durante a coletiva de imprensa do Prêmio Nobel, acrescentando que estava fazendo compras quando recebeu a notícia.
Soai é japonês e Kagan, francês.
Nobel de Química sucede os anúncios de Medicina e Física
O Prêmio Nobel de Química, que sempre é o terceiro prêmio a ser concedido durante a semana do Nobel, veio na sequência dos prêmios de Medicina e Física, anunciados na segunda e na terça-feira.
“Portanto, o prêmio deste ano trata da química fundamental”, disse Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química.
Muitas das moléculas essenciais à vida existem em duas formas que são imagens espelhadas uma da outra, como as mãos esquerda e direita, disse ele.
No entanto, os organismos vivos utilizam quase exclusivamente apenas uma versão, um fenômeno conhecido como “homoquiralidade” – da palavra grega para mão – que intriga os químicos há mais de um século.
O prêmio deste ano foi concedido por descobertas que demonstraram como as reações químicas podem ser direcionadas para favorecer uma única imagem espelhada da molécula, trabalho que tem sido fundamental para os químicos que projetam reações para a fabricação de produtos farmacêuticos.
“Muitas das moléculas de medicamentos ocorrem em duas variantes que são imagens espelhadas não idênticas uma da outra: uma tem o efeito terapêutico, enquanto a outra pode causar efeitos colaterais desnecessários e, às vezes, prejudiciais”, afirmou a Fundação Nobel.