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Primeiro, o tango. Musicais da Disney ficam para depois com dólar caro. Entenda!

27 ago 2022, 16:00 - atualizado em 26 ago 2022, 17:30
Dólar
Procura por peso argentino, euro e libra aumenta em casas de câmbio brasileiras com viagem mais cara para os EUA (Imagem: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration)

A porta de entrada de muitos brasileiros mundo afora é a Argentina. Perto do Brasil, com idioma mais fácil de entender e moeda mais barata. Um combo interessante para atrair a isca.

Com uma economia mais frágil em relação à brasileira, a desvalorização do peso argentino fez com que aumentasse a corrida pela moeda nas casas de câmbio.

Mi Buenos Aires querido

Com isso, o tango volta a ser programa queridinho dos brasileiros fora do Brasil, enquanto o sonho de conhecer ou de voltar à Disney fica para depois. 

Um levantamento da Travelex Confidence mostrou que a moeda argentina foi a mais procurada, em julho. A venda de peso argentino aumentou 12% na comparação com junho deste ano. 

“A Argentina voltou a ser um roteiro muito atrativo para os brasileiros. Assim como alguns outros países da América do Sul”, comenta a presidente-executiva da Associação Brasileira de Câmbio (Abracam), Kelly Massaro.

Ela brinca que, duas décadas atrás, a Argentina era quase um fim de semana estendido para brasileiros tamanha a facilidade para ir ao país vizinho. Agora, devido a pandemia de covid-19, há viagens represadas, diz. 

Segundo Massaro, esse cenário também pode justificar o crescimento da demanda por moedas. Mesmo que muitos brasileiros ainda levem dólar americano para a Argentina e façam a conversão da moeda por lá.

Sem a terra do Tio Sam

A escalada do dólar ante as principais divisas estrangeiras fez com que a procura pela moeda norte-americana caísse no Brasil. 

Segundo a Travelex, a venda de dólar americano caiu 1% no mês passado ante junho. Com isso, os musicais da Disney, o Mickey e a Minnie ficam na saudade e o sonho se volta para o velho continente.

É bom lembrar que, em julho, o dólar comercial voltou ao patamar de R$ 5,50, o que pode ter freado as vendas da moeda, que ainda acumulam alta de 64% em sua comercialização no ano.

Terras da rainha a vista

O euro e a libra esterlina completaram o Top 3 de moedas mais comercializadas nas casas de câmbio em julho. 

A presidente-executiva da Abracam diz que o momento está favorável para moedas que ela chama de não-convencionais, como o dólar canadense e peso mexicano.

Como dólar e euro sempre foram carro-chefe nas vendas, hoje, está havendo uma virada de chave, diz ela. Mesmo com a queda na procura pela divisa canadense no mês passado, todas essas moedas citadas na matéria acumulam uma forte alta em suas vendas na base anual.

O euro está em um momento mais favorável do que o dólar, isso na comparação com real. Lá fora, a moeda europeia perdeu a paridade para o dólar, ficando abaixo de US$ 1 pela primeira vez desde que entrou em circulação na União Europeia, no início de 2002.

É hora de comprar euro para viagens e investimentos?

Na comparação com o real, tanto o dólar quanto o euro turismo foram negociados, em média, a R$ 5,30 – desconsiderando taxas -, segundo o site “Meu Câmbio”.

Turismo aquecido

O turismo de luxo cresceu 10,6% em 2021, acima dos índices pré-pandemia. O levantamento do Anuário da Associação Brasileira de Viagens de Luxo mostra que o setor faturou R$ 1,8 bilhão no ano passado, avanço de 50% na comparação com 2019. Tudo bem que a maioria dos turistas viajou dentro do país.

Outro segmento que cresceu foi o turismo de negócios. Segundo a Associação Brasileira das Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), o faturamento mais que triplicou no primeiro semestre deste ano, para R$ 4,8 bilhões, ante os seis primeiros meses de 2021. 

Esse montante foi impulsionado pelos serviços aéreos, que somaram R$ 3,1 bilhões de janeiro a junho.

Querendo ou não, são sinais da retomada do turismo após a pandemia e fronteiras fechadas. 2023 pode ser de ventos favoráveis para as viagens, mesmo com o aumento das passagens aéreas nos últimos meses.

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Repórter
Jornalista mineira com experiência em TV, rádio, agência de notícias e sites na cobertura de mercado financeiro, empresas, agronegócio e entretenimento. Antes do Money Times, passou pelo Valor Econômico, Agência CMA, Canal Rural, RIT TV e outros.
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