Procuradoria do Rio de Janeiro pede falência do Grupo Victor Hugo após identificar dívida de mais de R$ 1,2 bilhão
Em um movimento considerado inédito e de caráter excepcional, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) ingressaram na Justiça com um pedido de falência contra as principais empresas do Grupo Victor Hugo — Brasilcraft Comércio de Artefatos de Couro, Nimey Artefatos de Couro e Musk Artefatos de Couro.
A Justiça do Rio de Janeiro deu andamento ao processo em 4 de fevereiro. O requerimento havia sido protocolado em dezembro de 2025.
O motivo central da ação envolve uma dívida superior a R$ 1,2 bilhão, acumulado ao longo dos anos pelas empresas do grupo. Desse montante:
- quase R$ 900 milhões são devidos à União;
- mais de R$ 355 milhões ao estado do Rio de Janeiro.
Segundo as procuradorias, o grupo se enquadra como devedor contumaz, operando com inadimplência sistemática e uso de estruturas de blindagem patrimonial para evitar a cobrança de tributos.
A PGFN sustenta que o não pagamento deliberado concedeu ao grupo uma “vantagem competitiva desleal” e privou o poder público de recursos que seriam destinados a políticas sociais. “Estamos protegendo a ordem econômica e a livre concorrência”, afirmou a procuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Almeida.
O órgão ainda ressaltou que o pedido de falência é um recurso extremo e não deve ser banalizado, mas empregado para permitir que as atividades sejam transferidas a novos gestores capazes de manter a operação e cumprir as obrigações tributárias.
Esquema de evasão e blindagem internacional do Grupo Victor Hugo
A petição inicial descreve um complexo esquema de evasão de ativos, que envolveria transferência da marca “Victor Hugo” para empresas offshore no Uruguai e Belize, além da utilização de “laranjas” como sócios formais dessas entidades.
Do mesmo modo, a investigação aponta para simulações de venda de parques industriais e fundos de comércio para dificultar a atuação do Fisco, além de uma tentativa recente (em dezembro de 2025) de migrar ativos nacionais para uma empresa controlada por capital estrangeiro, manobra vista como tentativa de escapar à jurisdição brasileira.
Para as procuradorias, o conjunto de operações evidencia uma estratégia contínua para ocultar patrimônio e frustar execuções.