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Queda da Selic vai estimular follow-on de fundos imobiliários, diz gestor da Tellus

20 jul 2023, 8:30 - atualizado em 20 jul 2023, 11:17
Fundos Imobiliários Tellus Properties taxa selic follow-on
Gestor de fundos imobiliários vê redução da Selic como injeção de ânimo no mercado e resultará em onda de emissão de cotas (Imagem: Tellus Properties)

Este ano está sendo marcado pelas ofertas subsequentes de ações (follow-ons) de grandes empresas listadas na Bolsa brasileira. Porém, as operações não ficarão restritas às companhias e devem invadir os fundos imobiliários, com a emissão de novas cotas. O gatilho será a queda da taxa básica de juros (Selic).

Em entrevista ao Money Times, o gestor e diretor financeiro da Tellus, João Paulo Germanos, comenta que, ainda que a queda de juros seja pequena, de 0,25 ou 0,50 ponto percentual (p.p.) no primeiro corte ou nos próximos meses, o ciclo de afrouxamento monetário irá estimular os fundos imobiliários de modo em geral.

“A Selic pode cair para 12,5% ou para perto disso até fim do ano. Não é o ideal, mas vai estimular o número de transações”, diz Germanos referindo-se à emissão de cotas.

Ele diz que muitos fundos de investimentos estão se preparando para fazer follow-ons ou ofertas primárias de ações (IPOs) de fundos imobiliários. “Acho que dá um ânimo importante para a indústria de FIIs e imobiliária, como um todo”, avalia.

Selic em queda anima fundo imobiliário

A Tellus é gestora do Tellus Properties (TEPP11) e do Tellus Rio Bravo Renda Logística (TRBL11), fundos que fecharam junho com quase 11,5 mil e mais de 60 mil cotistas, respectivamente. Pensando na queda da Selic, a emissão de novas cotas entrou no radar da gestora.

“A gente gosta da ideia de fazer um follow-on. É importante para o fundo [Tellus Properties] e para o crescimento dele. Mas o fundo precisa ter sua cota a valor de mercado mais próxima do seu valor patrimonial. Mas temos aí uma distância de uns 11%”, comenta Germanos.

O TEPP11, de lajes corporativas, é o fundo imobiliário que mais se valoriza em 2023, perto de 38%. Para o executivo da Tellus, a medida que a cota do fundo for se aproximando do valor patrimonial, a gestora vai tendo mais ânimo para fazer a operação. 

“A gente viu que os anos de taxa de juros elevada machucaram os fundos e deixaram o cenário de crédito asfixiado. A gente depende de crédito, seja na produção ou no financiamento de imóvel. Com a Selic mais comportada, entre 10% e 12%, o cenário melhora bastante para os fundos imobiliários”, avalia.

Desta forma, Germanos diz que, em 2024, com a Selic no patamar de 10%, conforme esperado pelo mercado financeiro, ele acredita que os fundos imobiliários tenham um ritmo de crescimento bom e normal para a indústria.

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Crescimento dos FIIs e aumento da liquidez ajudam follow-ons

A equipe de análise da Órama Investimentos acrescenta que o aumento de liquidez dos fundos imobiliários viabiliza o crescimento da indústria por meio da emissão de cotas e também a criação de novos fundos com IPOs, que estão previstos para este semestre.

A casa de análises destaca que, no primeiro semestre de 2023, houve aumento de 4,4% no valor total do patrimônio dos fundos. Além disso, houve ingresso de mais de 200 mil investidores, chegando ao total de R$ 210 bilhões de patrimônio total e 2,2 milhões de investidores.

“Esse número é quase o dobro em relação aos investidores que existiam ao fim de 2020. Tais movimentos, aliados à queda da taxa de juros, proporcionam maior liquidez para o mercado de FIIs”, diz a Órama.

 

Repórter
Jornalista mineira com experiência em TV, rádio, agência de notícias e sites na cobertura de mercado financeiro, empresas, agronegócio e entretenimento. Antes do Money Times, passou pelo Valor Econômico, Agência CMA, Canal Rural, RIT TV e outros.
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