Quem é Tiago Cavalcanti, professor de Cambridge indicado por Haddad para o Banco Central
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou o nome do economista Tiago Cavalcanti como sugestão para compor a diretoria do Banco Central (BC), que está com duas vagas abertas.
A indicação de Cavalcanti reflete a estratégia do Ministério da Fazenda de priorizar profissionais com experiência internacional, reputação acadêmica consolidada e profundo conhecimento técnico.
O objetivo é conduzir o Banco Central de acordo com padrões globais de política monetária, ao mesmo tempo em que responde aos desafios domésticos, enviando uma mensagem clara de confiança e independência do Comitê de Política Monetária (Copom) frente a pressões políticas externas.
Além de Cavalcanti, outro nome indicado para a autoridade monetária é o de Guilherme Mello, secretário de Política Econômica. Vale lembrar que a decisão final cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Um especialista em crédito no Banco Central
Natural de Pernambuco, Cavalcanti mantém perfil discreto no cenário financeiro brasileiro, distante dos holofotes da Faria Lima, mas possui um currículo de peso no meio acadêmico internacional.
Ele é especialista em macroeconomia, desenvolvimento econômico e sistemas de crédito, combinando experiência internacional com engajamento no debate econômico nacional.
Formado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ele concluiu mestrado e doutorado na Universidade de Illinois (EUA), onde recebeu o Langoff Award e o Hans Brems Award.
No Brasil, Cavalcanti atuou como professor visitante na FGV-EESP e como colunista do Valor Econômico. Sua experiência internacional inclui sua atuação como professor na Universidade de Cambridge e fellow do Trinity College, destacando-se como especialista em áreas críticas para o Banco Central.
Ele também já participou de debates econômicos de campanhas políticas brasileiras, como em 2014, quando contribuiu para propostas de Eduardo Campos e Marina Silva, com foco em crescimento sustentável e eficiência institucional.
O papel no Copom e o mandato
Se aprovado pelo Senado, Cavalcanti assumirá uma das diretorias do Banco Central, possivelmente nas áreas de Política Econômica ou Organização do Sistema Financeiro, com mandato vigente até 31 de dezembro de 2029.
Como diretor, terá voto direto nas decisões sobre a taxa Selic, o controle da inflação e a regulação da concorrência bancária, temas que domina e sobre os quais publica com frequência.
Sua entrada ocorre em um momento de transição na autoridade monetária, quando reforçar a credibilidade técnica do Copom é estratégico para transmitir estabilidade ao mercado.
*Com supervisão de Juliana Américo