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XP vê Bolsa descontada, mas alerta para eleições e fiscal; veja as ações preferidas

01 out 2026, 16:31
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(Foto: iStock.com/primeimages)

A XP Investimentos mantém uma visão construtiva para a bolsa brasileira, mas avalia que o mercado vive uma “encruzilhada” às vésperas das eleições presidenciais. Apesar do desempenho positivo do Ibovespa (IBOV) em setembro, os estrategistas entendem que a trajetória dos juros, a situação fiscal e o apetite global por risco devem pesar mais do que o valuation nos próximos meses.

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No relatório Raio-XP de outubro, a corretora reiterou seu preço-alvo de 200 mil pontos para o Ibovespa ao fim de 2026, o que representa potencial de valorização de cerca de 7% em relação aos níveis atuais.

Em um cenário otimista, a corretora estima que o índice poderia alcançar 248 mil pontos, enquanto, no pessimista, recuaria para 165 mil pontos.

Segundo os estrategistas Fernando Ferreira, Raphael Figueiredo, Caio Souza e Antonio Mello, a bolsa brasileira segue negociando a múltiplos descontados, a cerca de 8,5 vezes o preço em relação ao lucro projetado (P/L), com desconto de 15% frente aos mercados emergentes e de 49% em relação às bolsas globais.

Ainda assim, a equipe destaca que as preocupações fiscais e a dinâmica dos juros longos devem continuar ditando o humor dos investidores.

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A XP lembra que a dívida bruta brasileira já corresponde a 83% do Produto Interno Bruto (PIB) e cresce cerca de três pontos percentuais por ano. Por isso, os investidores estarão atentos aos sinais sobre a política fiscal do próximo governo e do Congresso a partir de 2027.

Fluxo estrangeiro e eleições no radar

A corretora destaca que os investidores estrangeiros voltaram às compras em setembro, com entrada líquida de R$ 9,6 bilhões no mercado à vista, após retiradas de R$ 18 bilhões em agosto. Para a XP, o movimento sugere que parte do mercado começou a se posicionar para as eleições presidenciais.

Ainda assim, a avaliação é de que grande parte dos investidores permanece em compasso de espera, aguardando maior clareza sobre o cenário macroeconômico e político antes de ampliar a exposição ao Brasil.

Como se posicionar?

Diante das incertezas, a XP atualizou suas carteiras temáticas para diferentes cenários.

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Na visão da corretora, as ações ligadas à chamada “Política Alternativa” podem se beneficiar de um ambiente mais amigável ao mercado, reunindo nomes como Petrobras (PETR4), Banco do Brasil (BBAS3), Sabesp (SBSP3), B3 (B3SA3) e Localiza (RENT3).

Já para um cenário de deterioração fiscal, a XP destaca empresas mais defensivas e expostas ao dólar, como Aura (AURA33), Petrobras, Gerdau (GGBR4), WEG (WEGE3) e Suzano (SUZB3).

Para investidores que apostam em uma valorização do real, a XP destaca sua cesta de baixa exposição ao dólar, composta por empresas mais ligadas à atividade doméstica e menos dependentes de receitas em moeda estrangeira.

Entre os nomes selecionados estão Rede D’Or (RDOR3), Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3), Cyrela (CYRE3), Allos (ALOS3), além de companhias de utilidade pública e infraestrutura. Segundo a corretora, esse grupo costuma ser beneficiado em períodos de fortalecimento da moeda brasileira, cenário que normalmente vem acompanhado de melhora da percepção de risco e queda dos juros.

Já para um cenário de desvalorização cambial, a XP aponta sua cesta de Alta Exposição ao Dólar, formada por exportadoras e empresas com receitas dolarizadas. Entre os destaques estão Prio (PRIO3), Vale (VALE3), Suzano, Klabin (KLBN11), JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3).

De acordo com a corretora, essas companhias tendem a funcionar como proteção em momentos de enfraquecimento do real, já que boa parte de suas receitas está atrelada ao mercado externo ou à variação da moeda americana.

XP aposta mais no risco

Na carteira recomendada para outubro, a XP decidiu elevar modestamente o nível de risco.

A corretora aumentou o peso de BTG Pactual (BPAC11) de 5% para 10%, citando a exposição ao mercado de capitais e a qualidade da franquia. Também elevou a participação de Iguatemi (IGTI11) para 10%, destacando a qualidade dos ativos e o potencial de ganho com a queda dos juros longos.

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Outra aposta reforçada foi a Sabesp, que passou de 7,5% para 10% da carteira. Segundo a XP, a companhia é uma das preferidas dos investidores estrangeiros e deve se beneficiar de uma retomada dos fluxos para o Brasil.

Por outro lado, a casa reduziu a exposição a Rede D’Or, de 10% para 5%, após a valorização recente das ações, e diminuiu o peso de Gerdau, de 10% para 5%, para abrir espaço para ativos mais ligados ao ciclo doméstico.

Confira as recomendações da carteira abaixo:

CompanhiaTickerPesoRatingPreço-Alvo
PetrobrasPETR410,0%CompraR$ 63,00
PrioPRIO35,0%CompraR$ 78,00
GerdauGGBR45,0%CompraR$ 30,00
ValeVALE35,0%NeutroR$ 82,00
EmbraerEMBR310,0%CompraR$ 116,00
TotvsTOTS35,0%CompraR$ 47,00
IguatemiIGTI1110,0%CompraR$ 35,00
CuryCURY35,0%CompraR$ 45,00
Rede D’OrRDOR35,0%CompraR$ 45,00
Axia EnergiaAXIA37,5%CompraR$ 55,52
SabespSBSP310,0%CompraR$ 36,84
Itaú UnibancoITUB47,5%CompraR$ 50,00
BTG PactualBPAC1110,0%CompraR$ 63,00
NubankROXO345,0%CompraR$ 18,60

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

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