Raízen (RAIZ4) fará aumento de capital de até R$ 3,5 bi em meio à recuperação extrajudicial
A Raízen (RAIZ4), que está em recuperação extrajudicial, deu mais um passo para ganhar fôlego financeiro: um aumento de capital de até R$ 3,5 bilhões.
Segundo comunicado ao mercado, a emissão será realizada por meio de novas ações ordinárias, preferenciais classe A (PNA) e preferenciais classe B (PNB).
A empresa prevê uma subscrição mínima de 14 bilhões de ações, ao preço de R$ 0,25 por papel, independentemente da espécie ou classe.
As novas ações terão direito integral a dividendos, juros sobre capital próprio e demais proventos distribuídos pela companhia.
A empresa informou ainda que as ações PNB a serem emitidas não serão listadas nem admitidas à negociação em bolsa ou em mercado de balcão organizado. Após a emissão, os papéis permanecerão registrados apenas no livro de ações nominativas da companhia.
Outro ponto é a mudança na negociação das atuais ações preferenciais. Caso a redesignação seja aprovada, os papéis passarão a ser negociados como ações PNA, sob o ticker RAIZ5, a partir de 3 de novembro de 2026.
Cronograma
| vento | Data* |
|---|---|
| Divulgação do Comunicado ao Mercado | 21/10/2026 |
| AGE e Assembleia Especial | 30/10/2026 |
| RCA de aprovação do aumento de capital e divulgação de Fato Relevante/Aviso aos Acionistas | 05/11/2026 |
| Data de corte para fazer jus ao direito de preferência | 05/11/2026 |
| Início da negociação “ex-direito” e do período de preferência | 06/11/2026 |
| Encerramento do período de preferência | 07/12/2026 |
| RCA de homologação da capitalização da RSA | 16/12/2026 |
| Crédito das novas ações | 18/12/2026 |
* Datas indicativas, sujeitas a alterações pela companhia.
Medida ainda precisa ser aprovada
Apesar do anúncio, a operação ainda depende de aprovações societárias. A criação das ações preferenciais classe B, a redesignação das atuais preferenciais para classe A, a instituição de um programa de units e a reforma do estatuto social serão votadas em assembleia geral extraordinária e em assembleia especial de acionistas preferencialistas, ambas marcadas para 30 de outubro.
Caso as propostas sejam aprovadas, os temas seguirão para o conselho de administração, que deverá deliberar sobre o aumento de capital em reunião prevista para 5 de novembro de 2026.
Para os investidores, a operação pode ser vista como uma faca de dois gumes. De um lado, é relevante por reforçar a estrutura de capital da companhia e abrir espaço para a capitalização de créditos previstos no plano de recuperação extrajudicial.
Por outro, a emissão pode alterar a composição acionária e provocar diluição para os acionistas que não exercerem seu direito de preferência.
A Raízen atravessa um dos momentos mais desafiadores de sua história. Nos últimos meses, a companhia colocou em prática um amplo processo de reestruturação financeira e operacional, após registrar prejuízos bilionários, elevado endividamento e forte pressão sobre a geração de caixa.
Como parte desse movimento, a empresa acelerou a venda de ativos, reduziu investimentos e homologou um Plano de Reestruturação Extrajudicial (PRE) para renegociar parte de suas dívidas.