Raízen (RAIZ4): Fitch rebaixa nota de crédito; empresa perde grau de investimento
A Fitch Ratings rebaixou os ratings de inadimplência de longo prazo da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A. de ‘BBB-’ para ‘B’, mantendo a observação negativa. A agência também cortou os ratings nacionais da Raízen (RAIZ4), que passaram de ‘AAA(bra)’ para ‘BBB-(bra)’, além de rebaixar as notas de dívidas seniores no mercado internacional.
A empresa também perdeu o grau de investimento pelas três principais agência de classificação de risco (S&P, Fitch e Moody’s).
Segundo a Fitch, o rebaixamento reflete principalmente a falha dos acionistas em realizar um aporte de capital relevante dentro do prazo previsto, após os ratings terem sido colocados em observação negativa em outubro de 2025.
A decisão também incorpora um desempenho operacional mais fraco do que o esperado e uma posição de liquidez mais desafiadora.
A agência projeta alavancagem elevada, com dívida bruta em torno de 5,4 vezes o Ebitda e dívida líquida próxima de 5,0 vezes nos próximos dois anos — patamar considerado alto para o setor e compatível com a categoria ‘B’.
Além disso, a Fitch estima que a companhia tenha cerca de R$ 10,5 bilhões em dívidas com vencimento nos próximos 18 meses, o que amplia o risco de refinanciamento, especialmente em um cenário de juros elevados.
No campo operacional, a Fitch revisou para baixo suas projeções, citando preços mais baixos do açúcar, impacto cambial negativo e menor volume de moagem após a venda de ativos.
A estimativa de moagem caiu para 70,3 milhões de toneladas, ante 73 milhões previstos anteriormente. O Ebitda projetado é de R$ 10,9 bilhões em 2026 e R$ 11 bilhões em 2027.
A agência também avalia que investimentos elevados e despesas financeiras devem manter o fluxo de caixa livre negativo até 2027, sem expectativa de pagamento de dividendos no período.
A manutenção da observação negativa reflete a incerteza quanto à capacidade da Raízen de levantar recursos via venda de ativos ou eventual suporte dos acionistas, Cosan e Shell, no curto prazo.
Segundo a Fitch, uma eventual melhora do rating dependeria de uma redução consistente da alavancagem e do fortalecimento da estrutura de capital, cenário considerado improvável no curto prazo.
Qual a situação da Raízen
A Raízen enfrenta um cenário de alto endividamento, com a dívida líquida atingindo R$ 53,4 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26 — um aumento de 48,8% em relação ao ano anterior.
Na fim de janeiro, a companhia comunicou que recebeu carta de renúncia apresentada por Brian Paul Eggleston, do cargo de membro do conselho de administração da companhia. A acionista Shell Brazil Holding BV (Shell) indicou Jorrit Jan Witte Van Der Togt como novo membro.
Menos de uma semana depois, a empresa informou o mercado sobre a renúncia de Sonat Burman-Olsson do cargo de conselheira. Em comunicado, a empresa acrescentou que ainda informará ao mercado sobre a nomeaçã
Mais cedo, a Raízen informou que iniciou um processo de contratação de assessores financeiros para a busca de “opções estratégicas voltadas ao fortalecimento da liquidez da companhia, otimização da estrutura de capital e interação com o mercado”.
De acordo com o fato relevante divulgado nesta segunda-feira (9), os trabalhos ainda estão em fase preliminar e exploratória. Sendo assim, ainda não representam um compromisso vinculante relacionado a uma eventual transação ou operação específica.
“A companhia reforça o seu compromisso com a continuidade regular de suas atividades, reconhecendo a relação com seus clientes, fornecedores e parceiros de negócios como essenciais para a sua operação”, diz a Raízen no documento.
A companhia pontua que a assessoria irá auxiliar na elaboração de um diagnósticos e na avaliação de possíveis caminhos.