Reação ‘exagerada’ abre oportunidade de entrada nessa ação, segundo o Santander
O Santander elevou a recomendação para as ações da TIM (TIMS3) de neutra para outperform – equivalente à compra –, mantendo o preço-alvo em R$ 26 por ação, o que representa um potencial de retorno total de aproximadamente 32% em relação aos níveis atuais.
A mudança de recomendação ocorre após a forte correção dos papéis desde a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26). Segundo o banco, as ações da operadora acumulam queda de cerca de 20% desde maio, desempenho inferior ao do Ibovespa, que recuou cerca de 10% no mesmo período.
Para os analistas Felipe Cheng e Cesar Davanco, que assinam o relatório, a reação do mercado foi exagerada e abriu uma oportunidade de entrada para os investidores.
"Embora reconheçamos que os resultados do 1T26 levantaram questionamentos sobre a dinâmica de crescimento de receitas e despesas operacionais, acreditamos que a TIM continua bem posicionada para entregar seu guidance de 2026", afirmam.
O Santander avalia que a companhia deve cumprir suas projeções para o ano, ainda que mais próxima da faixa inferior das metas divulgadas.
Outro ponto que sustenta a visão mais positiva é a atratividade da avaliação da empresa. Pelas estimativas do banco, a TIM negocia com retorno de fluxo de caixa ao acionista (FCFE yield) de aproximadamente 11% e dividend yield de 10,5% para 2026, patamares considerados elevados para o setor.
Além disso, os analistas esperam uma normalização das despesas operacionais nos próximos trimestres, após uma temporada de resultados considerada fraca, especialmente em linhas relacionadas à rede e interconexão.
O Santander também mantém a expectativa de reajustes nos preços dos planos pós-pagos após a Copa do Mundo. Na avaliação do banco, um ambiente de preços mais racional pode melhorar a percepção dos investidores sobre o setor e impulsionar uma reprecificação das ações.
Vivo segue como principal aposta do Santander
Apesar da elevação da recomendação da TIM, a principal escolha do Santander entre as teles latino-americanas continua sendo a Vivo (VIVT3).
O banco reiterou a recomendação de compra para a companhia e manteve o preço-alvo em R$ 42 por ação, enxergando potencial de retorno total de cerca de 39%.
A preferência pela Vivo está ligada, principalmente, à maior resiliência operacional em um cenário macroeconômico mais desafiador.
Segundo os analistas, a empresa deve continuar entregando crescimento real de receita tanto nos negócios móveis quanto nos serviços fixos, ao mesmo tempo em que avança na expansão da geração de caixa livre.
Outro diferencial apontado pelo Santander é a expectativa de redução gradual da relação entre investimentos e receita (capex/sales), o que tende a fortalecer a geração de caixa nos próximos anos.
O banco também espera aceleração na venda de ativos, incluindo imóveis e ativos de cobre, movimento que pode destravar valor adicional para os acionistas após um início de ano mais lento nesse processo.
Nas contas do Santander, a Vivo negocia atualmente com FCFE yield de cerca de 10% e dividend yield de aproximadamente 8% para 2026.
"Vemos a Vivo como uma empresa de alta qualidade e elevada distribuição de caixa", destacam os analistas.
Para o banco, embora tanto Vivo quanto TIM apresentem potencial relevante de valorização, a líder do setor oferece uma combinação mais favorável entre crescimento, previsibilidade operacional e geração de caixa, justificando sua posição como principal recomendação no segmento.