Eleições 2026

Governo Lula rifa imposto sobre eletrônicos diante de desgaste político em ano eleitoral

02 mar 2026, 18:08 - atualizado em 02 mar 2026, 18:08
lula haddad isenção imposto de renda
O presidente Lula e o ministro Fernando Haddad: recuo tributário em ano eleitoral (Imagem: REUTERS/Adriano Machado)

O que nasceu como uma promessa de reforço de R$ 14 bilhões nos cofres públicos terminou como um revés tático para o Palácio do Planalto. Em um movimento incomum, exceto em um ano eleitoral como o de 2026, o governo Lula recuou do aumento no Imposto de Importação (II) sobre smartphones e notebooks.

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A revogação das novas alíquotas, confirmada na última quinta-feira (27), sinaliza que o temor da inflação e a pressão digital sobre as urnas pesou mais na balança do que o cumprimento das metas fiscais propostas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

A estratégia original estava ancorada na Resolução 852 do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex). O plano era elevar a tributação de mais de 1.200 produtos, fazendo com que a alíquota do II sobre itens como celulares e computadores saltasse de 16% para 20%. O Ministério da Fazenda, amparado pelo lobby da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), defendia a medida como um escudo para a produção nacional.

Contudo, a leitura do mercado foi imediata e negativa. Com as regras vigentes desde 6 de fevereiro, o setor precificou um encarecimento médio de R$ 160 em aparelhos móveis de entrada. Esse repasse direto ao consumidor atiçou a oposição e como gerou uma crise de imagem que o governo, focado nas eleições gerais de 2026, não se dispôs a sustentar.

A “manobra” da Camex e o alívio para o varejo

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A pressão surtiu efeito. Após uma ofensiva de associações e empresas por pedidos de isenção, a Camex selou a revogação parcial do pacote.

Na prática, o recuo funciona como um paliativo de curto prazo: 15 itens considerados de alta sensibilidade para o IPCA retomam as taxas originais, com smartphones voltando ao patamar de 16%, e outros 105 produtos terão tarifa zerada por um período de 120 dias.

Nos bastidores de Brasília, o movimento é visto como uma vitória do setor privado sobre tentativa de arrecadação do Executivo.

30 dias de crise: O custo da desaprovação

A cronologia da crise mostrou um governo reativo. Entre a assinatura da Resolução 852 e o recuo oficial, parlamentares da base e da oposição reportaram a desaprovação da medida e relataram a pressão das redes sociais. Com a pressão inflacionária nos eletrônicos, o Planalto optou por sacrificar os R$ 14 bilhões previstos.

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A mensagem para o mercado é mista: se por um lado o consumo ganha fôlego, por outro, a capacidade do governo de sustentar medidas fiscais impopulares em ano de urna volta a ser questionada.

* Com supervisão de Gustavo Porto

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Matheus Marques é estudante de jornalismo no IESB. Ele atua como estagiário em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Matheus Marques é estudante de jornalismo no IESB. Ele atua como estagiário em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
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