Rede D’Or (RDOR3): Ações desabam após lucro subir 39,2% no 4T25; o que desagradou?
As ações da Rede D’Or (RDOR3) abriram o pregão desta quinta-feira (26) liderando as maiores quedas do Ibovespa (IBOV), após a companhia entregar, na véspera, um balanço referente ao quarto trimestre de 2025 visto como sólido, mas abaixo das expectativas de analistas.
A maior rede de hospitais listada em bolsa do país teve lucro líquido de R$ 1,2 bilhão, montante 39,2% maior que o resultado obtido no mesmo período de 2024.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 2,8 bilhões, o que representa uma alta de 38,7% em base anual. A margem Ebitda foi de 19% no 4T25, alta de 3,7 pontos percentuais sobre o resultado sazonal. A Rede D’Or apurou ainda crescimento de 11,8% na receita líquida, para R$ 14,6 bilhões.
Por volta de 11h (horário de Brasília), as ações RDOR3 caíam 7,26%, a R$ 40,36. Acompanhe o temp real.
Analistas do Bradesco BBI destacam que o lucro e o Ebitda vieram, contudo, cerca de 5% inferiores ao esperado, sendo um desvio de 5% na divisão de hospitais e 8% na operação da SulAmérica.
“Pelo lado positivo, a receita hospitalar avançou 16% em base anual, acima do previsto, impulsionada por um aumento de 9% no ticket médio e por maior base comparativa”, pontuam os analistas.
Para o BBI, o conjunto dos resultados indica um trimestre mais fraco, especialmente devido à menor margem hospitalar e à desaceleração dos resultados da SulAmérica, o que que justifica uma reação negativa do mercado, uma vez que o Ebitda veio 10% abaixo do consenso.
No entanto, os analistas ainda veem fundamentos sólidos no negócio hospitalar e melhora estrutural no índice de sinistralidade (MLR) da SulAmérica, embora com efeitos pontuais que podem não se repetir. A recomendação de compra está mantida por ora, mas com viés mais neutro.
“Entendemos que o desempenho do 4T25 reduz parte do momentum positivo observado anteriormente, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de maior disciplina operacional e melhor balanceamento entre crescimento e rentabilidade para sustentar reavaliação mais consistente das ações ao longo de 2026″, diz o BBI.
Ainda um bom trimestre
Na visão do BTG Pactual, com um Ebitda e lucro líquido ainda crescendo na faixa de dois dígitos, o quarto trimestre de 2025 foi um trimestre “muito bom”, embora menos brilhante do que o trimestre anterior, especialmente em termos de margens hospitalares.
Os analistas ponderam que as expectativas em torno dos resultados da Rede D’or se elevaram demais após os números do terceiro trimestre de 2025, que se mostrou um dos melhores desde o IPO da companhia. Dessa maneira, as estimativas de consenso, BTG incluso, pareciam elevadas.
“Antes do 4T, já havíamos reduzido nossas premissas de margem, e o trimestre confirmou esse novo patamar. Também acreditamos que essa dinâmica já estava precificada, dado o desempenho inferior de RDOR3 frente ao Ibovespa desde o fim do ano passado”, diz o banco.
Em síntese, mesmo com premissas de margem mais conservadoras, o BTG não vê riscos relevantes de revisão negativa para nossas estimativas.
“Reiteramos a Rede D’Or como nossa principal recomendação, sustentada por perspectivas robustas de crescimento e múltiplos catalisadores, como alavancagem a juros mais baixos, opcionalidade em oncologia e expansão de joint ventures, além de potencial de M&A (fusão e aquisição)”, diz o BTG.