Refinarias privadas dizem operar no limite e ganham fôlego após reajuste da Petrobras, com greve no radar
As refinarias privadas brasileiras estão operando no máximo da capacidade e se sentem mais seguras para manter a produção elevada após reajuste de preços do diesel da Petrobras (PETR4) e de lançamento de programa federal de subvenção ao combustível, afirmou Matheus Soares, diretor de Novos Negócios da Refina Brasil, associação que reúne cinco refinarias privadas.
A Petrobras elevou o preço médio do diesel A (puro) em suas refinarias em 11,6%, ou R$0,38 o litro, no último sábado, em movimento que atenuou a defasagem do valor da estatal em relação ao mercado internacional e às refinarias privadas, após uma disparada do preço do petróleo neste mês em função da guerra no Golfo Pérsico.
A recomposição de preços pela Petrobras, segundo Soares, reduziu a pressão competitiva que, na avaliação do setor, poderia limitar o incentivo econômico para elevar a oferta de combustíveis por entes privados.
O executivo destacou que a Petrobras representa hoje 60% do suprimento de diesel do mercado brasileiro, enquanto as importações somam cerca de 20%, e a produção das refinarias privadas responde pelos demais 20%.
Ele disse que, com uma precificação considerada mais alinhada ao mercado, as refinarias privadas passaram a ver maior racionalidade em operar com fator de utilização elevado para ampliar a oferta.
“O que do nosso ponto de vista poderia resultar numa perda de condições das refinarias privadas de botar mais produto no mercado é o fato de os nossos produtos terem de ir para a praça competir com o preço da Petrobras, com uma defasagem de 80%, 60%”, disse ele.
A Acelen, dona da Refinaria de Mataripe, segunda maior do país em capacidade e localizada na Bahia, informou nesta semana que aderiu, de forma voluntária, ao programa de subvenção ao diesel, “alinhada ao interesse de cooperar com o abastecimento estável e contribuir para o equilíbrio do mercado”.
Soares ponderou, entretanto, que há uma preocupação sobre como será calculado o preço de diesel que servirá de referência para o programa, a ser ainda definido pela reguladora ANP. Segundo ele, esse indicador precisa seguir a paridade de preço de importação, ou não fará sentido para o mercado.
Ameaça de greve
Soares também comentou sobre a ameaça de greve dos caminhoneiros que cresceu nos últimos dias, em meio a protestos contra o aumento de preços do diesel na bomba.
O executivo considerou que o governo está tratando do assunto, ao anunciar nesta quarta-feira que irá impedir empresas de descumprirem o frete mínimo.
Além disso, o governo vai propor uma mudança no imposto estadual ICMS sobre os combustíveis e instaurar inquérito para apurar possíveis crimes relacionados a aumentos abusivos nos preços dos combustíveis.
“A gente ainda não teve manifestação dos caminhoneiros depois da coletiva (do governo que anunciou as medidas), então ainda está todo mundo meio apreensivo mesmo”, afirmou.