Mercados

Renovação da guerra comercial não impede alta do Ibovespa; dólar derrete

29 maio 2019, 18:44 - atualizado em 29 maio 2019, 18:44
Alta da sessão desta quarta-feira destoa do exterior avesso ao risco com renovação da guerra comercial com a China

Por Investing.com

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Ibovespa conseguiu sua terceira alta consecutiva, inimaginável até a semana passada. A alta da sessão desta quarta-feira destoa, inclusive, do exterior avesso ao risco com renovação da guerra comercial com a China proibindo a exportação de terras raras e a inversão da curva de Treasuries de curto e longo prazos. Os investidores brasileiros continuam com apetite ao risco sob o ensaio de otimismo de Brasília iniciado ontem perdeu força.

O principal índice acionário brasileiro subiu 0,18% aos 96.566,55 pontos, reforçando a alta do mês iniciada ontem. O dólar seguiu embalo e caiu 1,20% a R$ 3,9761. Foi o primeiro fechamento abaixo de R$ 4,00 desde 14 de maio. A moeda americana acumula, entretanto, alta de 1,35% no mês.

O Ibovespa retorna ao patamar anterior ao recrudescimento da guerra comercial entre EUA e China e os atritos entre Palácio do Planalto e Congresso para tramitação das MPs que estão para caducar entre fim de maio e início de junho.

Em maio, o índice acumula um pequeno ganho de 0,04%, após chegar a afundar 6,6% na sessão do dia 17, quando atingiu a mínima intradia de 89,4 mil pontos e encerrou a 89,9 mil pontos. A reação do Ibovespa na última semana do mês pode acabar com a sina de registrar um maio positivo desde 2009, reforçando o lema típico de Wall Street “sell in May and go away” (venda em maio e se mande).

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Ensaio de otimismo continua em Brasília

A aprovação da reforma administrativa sem inclusão de destaques no Senado sinalizou que o clima em Brasília entre os Três Poderes voltou a ser, por enquanto, de harmonia. Os senadores confirmaram a manutenção do Coaf no Ministério da Economia, apesar de senadores do partido do presidente se opor, afirmando ser “vontade da população” a ida do Coaf para a pasta da Justiça de Sergio Moro.

Além disso, os investidores estão animados com a promessa de pacto entre os Três Poderes anunciado ontem após café-da-manhã entre o presidente da República Jair Bolsonaro, o presidente da Câmara Rodrigo Maia, o presidente do Senado Davi Alcolumbre e o presidente do STF Antonio Dias Toffoli. A Reuters informou nesta quarta-feira que o pacto deve contemplar questões relacionadas às reformas da Previdência e tributária, combate ao crime, desburocratização e repactuação federativa, sem entrar detalhes das medidas.

Rodrigo Maia disse ontem que vai pedir a apresentação do texto da Previdência antes do dia 15 de junho, mas hoje afirmou que não quis atropelar prazos (Imagem: Antonio Cruz/Agência Brasil)

A união para aprovação da reforma da Previdência trouxe um pequeno contratempo que não levou a uma diminuição do otimismo. Rodrigo Maia disse ontem que vai pedir a apresentação do texto da Previdência antes do dia 15 de junho, mas hoje afirmou que não quis atropelar prazos. O pequeno recuo de Maia foi após o relator da Previdência na Comissão Especial, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), dizer que a tendência é de votação no colegiado apenas na primeira semana de julho.

Mas, ainda há testes pela frente em Brasília. Na noite desta quarta-feira, o plenário da Câmara deve votar a medida provisória 871, que combate fraudes no INSS – um dos pilares das mudanças no sistema de aposentadorias apresentadas pelo governo. Ainda havia dificuldades do governo em articular seus interesses nessa pauta.

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Renovação da guerra comercial e inversão da curva de juros

O jornal Global Times, um porta-voz de língua inglesa para Pequim, twittou que a China estava considerando seriamente cortar as exportações de metais de terra rara em resposta à imposição recente dos EUA de tarifas de importação mais altas sobre seus produtos e um boicote efetivo à gigante das telecomunicações Huawei. Terras raras são matérias-primas para desde eletrônicos de consumo de alta tecnologia a equipamentos militares.

China estaria considerando seriamente cortar as exportações de metais de terra rara em resposta à imposição recente dos EUA de tarifas de importação mais altas sobre seus produtos, disse jornal (Imagem: Pixabay)

A ameaça de Pequim renovou a guerra comercial e intensificou a aversão ao risco no exterior. O índice VIX, conhecido como índice do medo e mensura a tendência de volatilidade no mercado, subiu 2,29%. O aumento do risco aumentou a demanda por ativos portos-seguros, entre os quais os títulos da dívida pública do governo americano.

O rendimento do título de 10 anos teve uma nova queda, com yield caindo para 2,26%. Houve uma inversão da curva de juros, com o yield do título de 3 anos a 2,356%. A inversão é uma sinalização de recessão no horizonte para a economia americana e sugere que o início da flexibilização da política monetária do Fed está próximo.

A renovação da guerra comercial e possibilidade de recessão nos EUA derrubaram os índices em Wall Street. Dow Jones despencou 0,87%, S&P 500 perdeu 0,69% e Nasdaq caiu 0,79%. Na Europa, a guerra comercial, o aumento do desemprego na Alemanha e desequilíbrios orçamentários da Itália derrubaram o Euro Stoxx 600, que reúne as principais ações do continente, a 1,46%.

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Ações

WEG (WEGE3) ganhou 1,27%, enquanto EMBRAER (EMBR3) cedeu 0,16%, após ambas firmarem parceria para desenvolvimento de sistemas de propulsão elétrica para aeronaves, com um primeiro voo de demonstração previsto para 2020.

ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) elevou-se em 1,88%, enquanto BRADESCO PN (BBDC4) subiu 1,99%, em sessão positiva para o setor bancário. O BC divulgou o relatório de crédito referente a abril, mostrando que o estoque de empréstimos ficou estável e que o índice de inadimplência teve leve baixa.

SABESP (SBSP3) avançou 4,29%, apesar da Câmara de Deputados decidir deixar a Medida Provisória 868, que altera o marco regulatório do saneamento básico, perder validade sem ser votada. Os deputados, porém, garantiram que o assunto será objeto de um projeto de lei a ser futuramente apreciado pela Casa. A MP estava na pauta de votações na terça-feira e naufragou por falta de acordo entre os líderes.

– GRUPO SBF, controlador da Centauro, ganhou 1,56%, após notícia de que elevou sua oferta pela companhia de comércio eletrônico Netshoes (NETS) para 108,7 milhões de dólares, superando proposta anterior do Magazine Luiza (MGLU3). MAGAZINE LUIZA ganhou 0,14%.

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JBS (JBSS3) perdeu 6,33%, enquanto BRF (BRFS3) declinou 5,49%, em sessão em geral negativa para o setor de proteínas devido à alta dos preços de grãos no exterior. A elevação dos preços ocorre em meio a atrasos de plantio causados por fortes chuvas em importantes áreas de cultivo do Meio-Oeste dos Estados Unidos, segundo operadores.

– GRUPO PÃO DE AÇÚCAR recuou 0,82%, após a S&P cortar a nota de crédito local atribuída ao grupo e colocar o rating em observação negativa. A agência também reduziu a nota do controlador do GPA (PCAR4), Casino, após o francês cancelar dividendos intermediários. VIA VAREJO, no entanto, subiu 3,85%.

– PETROBRAS PN (PETR4) perdeu 1,12% e PETROBRAS ON (PETR3) caiu 0,79%, em linha com a queda dos preços do petróleo no exterior. Os mercados estão sob pressão diante da intensificação dos atritos comerciais entre EUA e China, que pode implicar na redução da demanda global por combustível.

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