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Resumo: Petrobras perde R$ 32 bilhões em valor de mercado após veto do diesel

12/04/2019 - 19:47
(Imagem: Divulgação)

Por Investing

O presidente Jair Bolsonaro cedeu à tentação intervencionista na Petrobras (PETR4) que acomete todos que comandam o Palácio do Planalto. Ontem, a petroleira anunciou e depois cancelou um aumento de 5,7% no preço do diesel. O recuo veio a pedido do presidente que tentou emplacar uma agenda positiva nesta semana e afagar os caminhoneiros que ameaçam nova greve.

Os investidores entenderam o recado populista e cobraram o preço da intervenção. Foram R$ 32 bilhões em valor de mercado da Petrobras, cuja ação preferencial (PETR4) afundou 7,75%, enquanto a ordinária (PETR3) cedeu ainda mais, 8,54%. Em Nova York, o tombo foi ainda maior com compensação do câmbio: -9,29%.

Para agradar caminhoneiros, Bolsonaro cancelou o reajuste. Temer interferiu na política de preços em meio à greve de 2018, o que custou o cargo de Pedro Parente. Dilma e Lula usaram e abusaram das intervenções para segurar o IPCA, atender a setores e agradar aliados políticos – como a Lava Jato bem explicou. FHC também usou politicamente a petroleira, assim como seus antecessores.

Roberto Castello Branco seguirá o exemplo de Parente e pedirá as contas? Ou será Castello Branco uma força fraca na defesa da independência como foram Aldemir Bendine, Maria das Graças Foster, Sergio Gabrielli…

O tempo – e o preço das ações – dirão.

Contexto do intervencionismo e repercussão

O presidente Jair Bolsonaro reivindicou nesta sexta-feira preço-justo para o diesel e afirmou que ficou surpreso ontem com o anúncio do, solicitando explicação da estatal para o aumento.

O presidente Bolsonaro telefonou na quinta-feira para o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, para abreviar o aumento do combustível mais consumido do país. Em decisão conjunta, de acordo com o Palácio do Planalto, ficou acertada a suspensão do aumento. Em nota, a Petrobras informou que “revisitou” sua posição e decidiu adiar o aumento do combustível, afirmando que “há margem para espaçar mais alguns dias o reajuste no diesel”.

O receio do governo é a escalada do descontentamento dos caminhoneiros com o aumento do diesel a ponto de deflagrar uma greve análoga à realizada no ano passado, quando o Brasil passou por um desabastecimento por duas semanas. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) monitora há meses o movimento da categoria, um dos pilares para a vitória eleitoral de Bolsonaro no ano passado.

O combustível acumula alta de 18% em 2019. Para minimizar um risco de greve no mês passado, a Petrobras aceitou modificar a periodicidade de ajuste no mês passado, deixando de ser semanal para quinzenal. A suspensão do reajuste desta sexta-feira vai acarretar em perdas diárias de R$ 13 milhões à estatal, segundo estimativa Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) que considera a defasagem do preço das refinarias brasileiras à paridade internacional.

Em entrevista à rádio CBN, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que Bolsonaro decidiu por represar o ajuste e que “optou pelo bom senso” diante da pressão dos caminhoneiros. O vice-presidente seguiu a avaliação de Lorenzoni e disse que a medida foi isolada e não haverá interferência na política de preço da Petrobras.

Respondendo se a pressão sobre a Petrobras relembra o intervencionismo na política de preços no governo da petista Dilma Rousseff, O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, discorda de a suspensão atual ser semelhante à intervenção praticada pela petista e acusa a corrupção do PT como responsável pelas perdas da estatal.

UBS e BTG Pactual: recomendação de compra persiste

Na avaliação do UBS, a suspensão do ajuste é uma tentativa de evitar uma greve com desdobramentos semelhantes ao do ano passado. O banco mantém a recomendação de compra, mas que decisões recentes da Petrobras poderiam impactar na tese de investimento do banco.

O BTG Pactual (BPAC11) também manteve a recomendação de compra e avaliou que o adiamento do ajustamento expôs a Petrobras à influência política mesmo sob um governo com agenda liberal. A ameaça de greve dos caminhoneiros a cada anúncio de reajustamento do preço do diesel colocou a estatal sob um dilema: os efeitos de uma greve dos caminhoneiros seriam prejudiciais à economia brasileira, à própria Petrobras e à própria agenda liberalizante do Palácio do Planalto; entretanto, represar preço tampouco traz benefícios à companhia, colocando em risco o seu processo de desalavancagem.

Os analistas do BTG questionam se houve mudança de percepção do governo sobre a atual política de preços da estatal ou se a medida de ontem a noite foi apenas temporária, pragmática. A resposta, segundo o banco, depende da reação da equipe econômica, que até agora não se manifestou.

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Última atualização por Vitória Fernandes - 12/04/2019 - 19:47

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