Retornos de até 24% em dividendos: A melhor elétrica da bolsa, segundo Santander
O setor elétrico costuma ficar no radar dos investidores — especialmente dos fãs de dividendos. Em meio às diversas opções da bolsa, o Santander revisou as teses das geradoras diante da alta dos preços de energia. E a favorita não poderia ser outra: Axia Energia.
Desde que superou uma série de entraves — incluindo questões com o Governo Federal —, a companhia passou a atrair mais atenção dos analistas.
Segundo o banco, a empresa tem exposição relevante a ativos hidrelétricos não contratados, o que funciona como um belo diferencial para diminuir custos. Como cereja do bolo, o Santander destaca ainda o caixa robusto, que pode se traduzir em distribuição adicional aos acionistas.
As estimativas apontam para um rendimento extra de dividendos de 23,9% entre 2026 e 2028. O banco também recomenda compra das ações preferenciais classe C (AXIA7), que negociam com desconto de 3,7% em relação às ordinárias (AXIA3).
O Santander elevou o preço-alvo para o fim de 2026 para R$ 68,92 no caso de AXIA6 — o que implica uma TIR (taxa interna de retorno) real de 10% — e para R$ 62,66 para AXIA3 e AXIA7.
Auren: alavancagem é o desafio
Se a Axia é destaque positivo, o mesmo não se pode dizer das demais geradoras. O Santander manteve recomendação neutra para a Auren (AURE3), com preço-alvo de R$ 13,47, uma TIR real de 9,5%.
Os analistas reconhecem o histórico operacional sólido da companhia, evidenciado pela integração bem-sucedida da AES Brasil, além do benefício trazido pelo atual ciclo de alta dos preços de energia.
Por outro lado, a empresa enfrenta um nível elevado de endividamento, pressionado tanto pela inflação quanto pelos juros elevados.
“Além disso, observamos incerteza relevante em relação aos impactos de curto e médio prazo de um eventual racionamento de energia, o que limita o potencial de valorização nos níveis atuais”, destaca o banco.
Engie: menos riscos, mas ainda cautela
Para a Engie Brasil (EGIE3), o Santander elevou a recomendação de venda para neutra, com preço-alvo de R$ 33,64, o que representa uma TIR real de 8,3%.
A mudança reflete a decisão da companhia de adotar a distribuição de juros sobre capital próprio de forma recorrente, além dos efeitos do leilão de capacidade e da atualização da curva de preços de energia.
Ainda assim, o banco avalia que a empresa segue exposta a riscos como redução de produção, modulação e diferenças entre submercados, enquanto avança em um amplo portfólio de novos projetos.
“Esperamos que isso resulte em aumento da alavancagem — com a relação dívida líquida/EBITDA atingindo pico de 3,7x em 2026 — e dividendos mais modestos, com rendimento médio estimado em 6,1% entre 2026 e 2028”, afirma o Santander.