Economia

RPM reforça cautela do BC com pressões inflacionárias de curto prazo e espaço pequeno para aumentar ritmo de cortes nos juros em abril

26 mar 2026, 12:00 - atualizado em 26 mar 2026, 13:29
banco central copom selic super quarta
(Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central (BC), divulgado na manhã desta quinta-feira (26), trouxe maior detalhamento quanto às projeções macroeconômicas da autarquia e também destacou os riscos inflacionários com o conflito no Oriente Médio.

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No RPM, assim como já sinalizado na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de março, o BC elevou as estimativas para a inflação para 2026 de 3,4% para 3,9%, enquanto as expectativas para o atual horizonte relevante da política monetária — o terceiro trimestre de 2027 — subiram de 3,2% em janeiro para 3,3%, abaixo da mediana do último Boletim Focus, de 3,8%.

“Os riscos para a inflação, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”, destacou o BC. Entre os fatores de alta, estão a elevação do preço do petróleo e a revisão do hiato do produto, que indica atividade econômica acima da capacidade potencial.

Além disso, o documento aponta que a inflação deve seguir acima da meta de 3% até o terceiro trimestre de 2028, pelas estimativas do BC.

Na avaliação de economistas consultados pelo Money Times, o RPM veio em linha com a ata e o comunicado do Copom, reforçando o cenário de incertezas geopolíticas com o conflito no Oriente Médio e os riscos, tanto altistas quanto baixistas, que a guerra traz para a inflação.

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BC deve manter cautela por riscos inflacionários

O economista do Banco BV Carlos Lopes avalia que o Banco Central deve seguir cauteloso no ciclo de afrouxamento monetário devido aos riscos inflacionários com o conflito no Oriente Médio.

“Mesmo assim, o BC indica que estamos em um nível de taxa de juros muito elevado e ainda faz sentido iniciar o ciclo de afrouxamento, porque o colegiado teria tempo para calibrar o ciclo de afrouxamento de acordo com os desdobramentos do conflito no Oriente Médio”, observa Lopes.

Caso a guerra perdure por mais tempo, o economista avalia que o Banco Central deve manter o atual ritmo de cortes, de 0,25 ponto percentual.

Além disso, mesmo em um cenário de normalidade, desconsiderando os efeitos da guerra, o RPM sugere que a inflação no horizonte relevante deve seguir acima de 3%, o que ainda impõe uma certa cautela ao BC no ciclo de cortes, explica Lopes.

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O cenário base do BV é de uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic para a reunião de abril do Copom. Os cortes, a depender da guerra, podem acelerar a partir de junho, com o juro básico em 12% no final de 2026, afirma o economista.

RPM reduz espaço para aceleração do ritmo de afrouxamento monetário em abril

Na avaliação do Itaú Unibanco, o conjunto de informações presentes no RPM — ainda passível de mudanças com o decorrer do conflito no Oriente Médio — reduz o espaço para a aceleração do ritmo de afrouxamento monetário na reunião do Copom de abril.

O banco observa ainda que a projeção do BC para inflação no horizonte relevante da próxima reunião, o quarto trimestre de 2027, indica alta de 3,3% e foi obtida mesmo com a incorporação de preços de petróleo seguindo a curva futura de mercado até o fim desse ano.

Essa hipótese, segundo o Itaú, é mais benigna e não tinha ficado tão explícita nos documentos pós-Copom de março.

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“Adicionalmente, notamos que o BCB chega a essa estimativa com projeções que nos parecem subestimar as próximas leituras para a inflação de curto prazo”, frisa o banco.

O Itaú destaca ainda que a projeção de inflação para o horizonte mais longo apresentado, o terceiro trimestre de 2028, de 3,1%, denota que a autoridade monetária “não enxerga convergência plena para a meta de inflação quando toma como hipótese a trajetória de juros reportada na pesquisa Focus”.

RPM trouxe tom mais duro com projeções de inflação após 3T27

A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, considerou o RPM mais duro ao olhar para as estimativas da inflação após o atual horizonte relevante do Banco Central, que seguem acima da meta de 3% até o terceiro trimestre de 2028.

Com isso, Moreno avalia que a Selic terminal de 2026 deveria estar acima de 12,50% — número acima da estimativa do Boletim Focus utilizada pela autarquia.

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Ainda assim, o RPM indica que o BC deve seguir com o ciclo de afrouxamento monetário. Caso o cenário siga exigindo cautela, a magnitude do corte pende para 0,25 pp, explica Moreno. “Se o cenário piorar muito, ele pode eventualmente interromper o ciclo de corte de juros”, afirma.

O C6 segue com projeção de redução de 0,50 ponto percentual na reunião de abril, devido ao espaço de 40 dias até a próxima reunião do Copom. “Mas, se o cenário seguir como está, o colegiado deve reduzir 0,25 pp em abril”, diz.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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