Santander cita riscos para frigorífico com oferta restrita, maiores custos e El Niño
O Santander reforçou uma visão mais cautelosa para a Minerva Foods (BEEF3), destacando um conjunto de fatores que devem pressionar os resultados da companhia nos próximos trimestres, especialmente ligados ao ciclo do gado no Brasil e ao clima. O banco mantém recomendação neutra para os papéis BEEF3, com preço-alvo de R$ 6,80.
Segundo os analistas Guilherme Palhares e Laura Hirata, ainda não há sinais de início da reconstrução do rebanho bovino no país. Pelo contrário: o abate de fêmeas segue elevado — acima de 30% do total — indicando que a retenção ainda não começou. Esse cenário mantém a oferta de gado restrita, o que já se reflete nos preços, que acumulam alta de cerca de 18% na comparação anual.
Para o Santander, esse movimento é negativo para a Minerva, uma vez que a companhia enfrenta dificuldades para repassar integralmente o aumento de custos, especialmente no mercado doméstico, mais sensível a preços. A consequência tende a ser compressão de margens e volumes mais fracos.
Além disso, o banco chama atenção para o risco climático. Modelos já apontam para a possibilidade de um El Niño mais forte no segundo semestre de 2026, fenômeno que historicamente traz condições mais secas para regiões como Centro-Oeste e Norte — justamente onde se concentra grande parte do rebanho brasileiro.
Os efeitos de um boi mais caro para Minerva
Esse cenário descrito pelo Santander pode deteriorar as pastagens, acelerar o abate no curto prazo e atrasar ainda mais a recomposição do rebanho, prolongando o ciclo de oferta apertada.
Na prática, isso significa custos elevados por mais tempo. Pelas estimativas do Santander, cada aumento de R$ 15 por arroba no preço do boi pode reduzir o Ebitda da Minerva em cerca de R$ 800 milhões, considerando câmbio e preços de carne estáveis.
O banco também observa que cerca de 57% da capacidade de abate da companhia está exposta a regiões potencialmente impactadas pelo El Niño, o que amplia a sensibilidade operacional ao cenário climático.
Apesar dos riscos, o Santander pondera que um ambiente de exportações mais aquecidas ou um real mais fraco poderia amenizar parte das pressões para Minerva. Ainda assim, a leitura predominante é de cautela, com possibilidade de revisões negativas para os lucros à frente.