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Selic divide gigantes do mercado: Bruno Serra vê cortes, Mansueto aposta em juros travados

02 jul 2026, 10:50 - atualizado em 02 jul 2026, 9:51
Bruno Serra e Mansueto Almeida, no programa Onde Investir 2º semestre 2026
Bruno Serra e Mansueto Almeida, no programa Onde Investir 2º semestre 2026 (Imagem: Youtube do Seu Dinheiro)

Os economistas Bruno Serra, gestor da família de fundos Janeiro, da Itaú Asset, e Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, enxergam um segundo semestre mais tranquilo para a economia global após a reversão do choque provocado pela guerra no Oriente Médio. A leitura, porém, muda quando o assunto é a política monetária brasileira.

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Durante painel do evento Onde Investir no 2º Semestre de 2026, promovido pelo Seu Dinheiro, os dois apresentaram projeções distintas para a taxa Selic até o fim deste ano. Enquanto Serra acredita que o Banco Central terá espaço para retomar os cortes de juros, Mansueto avalia que a inflação ainda exige cautela e aposta na manutenção da taxa em 14,25%.

Serra vê inflação mais comportada e volta dos cortes

Para Serra, o principal choque inflacionário do ano praticamente ficou para trás. Segundo o ex-diretor do Banco Central, o petróleo e seus derivados devolveram boa parte da alta registrada após o conflito no Oriente Médio, reduzindo significativamente o impacto esperado sobre a inflação brasileira.

“A gente fez uma atualização relevante na semana passada depois que ficou clara a reversão do choque do petróleo”, afirmou.

Na avaliação do economista, o efeito líquido da guerra sobre o IPCA deverá ser limitado e, combinado com uma desaceleração da atividade econômica, poderá abrir uma nova janela para o Banco Central voltar a reduzir a Selic.

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O cenário-base da Itaú Asset considera inflação de 4,6% neste ano e câmbio próximo de R$ 5,10. Com isso, Serra projeta que a Selic encerre 2026 entre 13% e 14%, podendo haver cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões caso os dados confirmem a perda de força da economia.

“Eu diria que eu estou mais para achar que o 14% é o teto para o ano […]O Banco Central vai fazer o que for necessário. Quando olho para o meu cenário de inflação, vejo espaço para voltar a cortar juros”, disse.

Além da inflação mais benigna, Serra afirmou que já aparecem sinais de desaceleração no mercado de trabalho, citando a expectativa de novos resultados fracos do Caged, o que reforçaria o argumento para flexibilizar a política monetária.

Mansueto vê inflação resistente e Selic parada

A leitura do economista-chefe do BTG Pactual é mais conservadora. Embora reconheça que a reversão dos preços do petróleo ajuda a aliviar parte das pressões inflacionárias, Mansueto avalia que o Brasil enfrenta um problema doméstico mais persistente: a combinação entre atividade econômica resiliente e expansão fiscal.

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Segundo ele, a economia voltou a acelerar no primeiro trimestre mesmo com juros elevados, indicando que os estímulos fiscais e as operações de crédito subsidiado continuam sustentando a demanda.

“A grande desconfiança que todos nós temos é um impulso fiscal positivo”, afirmou.

Diante desse cenário, o BTG trabalha com inflação de 5,3% em 2026 e acredita que o Banco Central manterá a Selic em 14,25% até o fim do ano.

“Hoje a nossa trajetória de juros, dado o nosso cenário de inflação de 5,3%, é um juro constante em 14,25%. Não esperamos mais cortes neste ano, a não ser que haja surpresa consistente nos dados de inflação”, afirmou.

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Para Mansueto, a principal preocupação continua sendo a inflação de serviços e a desancoragem das expectativas de longo prazo, fatores que exigem cautela adicional da autoridade monetária.

O ponto em comum

Apesar das projeções diferentes para a Selic, os dois economistas convergiram em alguns pontos. Ambos afirmaram que o choque provocado pela guerra no Oriente Médio perdeu intensidade após a queda do petróleo, reduzindo o risco de uma deterioração maior da inflação global.

Também concordam que o comportamento do Federal Reserve continuará sendo um dos principais fatores para os mercados nos próximos meses, especialmente pelo impacto sobre o dólar e os fluxos para países emergentes.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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