Sem a Unica, cadeia do etanol pede controle do governo às importações dos EUA

Giovanni Lorenzon
05/05/2022 - 14:48
Etanol
Escoamento do etanol de milho dos EUA ao Brasil preocupa o setor (Imagem: REUTERS/Humeyra Pamuk)

A tarifa de importação de etanol anidro está zerada desde março, quando da safra do Centro-Sul dava as caras, e algumas entidades setoriais mantêm a pressão para que governo monitore a ocorrência de possíveis prejuízos decorrentes dessa concorrência.

O Ministério da Agricultura (Mapa), em resposta oficial da Secretaria de Política Agrícola, concorda em manter a atenção para o caso, conforme pedem a Feplana, que atua pelos canavieiros, e outras agremiações representantes das usinas – à exceção da Unica, que agrega, de Goiás ao Paraná, o maior número de grupos, entre os quais os maiores importadores.

Ainda que a pasta não tenha poder decisório na questão, encerrada na tentativa do Ministério da Fazenda e de Minas e Energia de combater a inflação de combustíveis, Paulo Leal, presidente da Feplana, acredita que esse apoio vem se somar aos esforços de manter sob controle a entrada do biocombustível, depois que foi eliminado o imposto de importação de 18%.

“Das últimas vezes que foi zerada ou reduzida a taxa de 20% do etanol estrangeiro, a cadeira nacional do setor amargou prejuízos com a entrada significativa do combustível no Brasil, especificamente na região Nordeste”, lembrou o dirigente, destacando a união da cadeia produtiva. Novabio, Unem e Fórum Nacional Sucroenergético estão nesta defesa.

Soria, no despacho recente, lembrou, no entanto, que as importações não devem subir, tendo em vista a safra em andamento no Centro-Sul, que incorpora mais etanol ao mercado, bem como a elevação da mistura do etanol anidro (de milho) nos Estados Unidos, para 15% entre junho e setembro.

Os EUA são esmagadoramente os principais fornecedores.

A tese do Mapa tem a concordância da Abicom, segundo seu presidente, Sérgio Araújo, que não vê nenhum risco de desbalanceamento da competitividade do produto nacional frente ao americano.

A entidade dos importadores não registra alteração no padrão de importação pelos principais portos de entrada, embora cotejando pelos dados de janeiro a março, ao passo que os dados de abril, quando efetivamente entrou em vigor a alíquota zero a ANP ainda não divulgou os dados.

No acumulado de janeiro a março, desembarcam 433,7 mil m³, sendo pelos terminais do Norte e Nordeste, como São Luís e Suape, os maiores volumes, como ocorre tradicionalmente.

Em 2021, segundo a agência reguladora, os importadores brasileiros trouxeram 39,3 milhões de m³, alta de 9,75% sobre 2020.

Última atualização por Giovanni Lorenzon - 05/05/2022 - 15:00

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