Petróleo

Para onde vai o petróleo, na visão do Daycoval: ‘Mais chance de subir do que de cair rápido’

24 abr 2026, 7:00 - atualizado em 23 abr 2026, 17:38
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(Imagem: REUTERS/Vasily Fedosenko)

Considerado um dos “termômetros” do mercado para medir o apetite e aversão a risco dos investidores, o petróleo Brent tem sido negociado na faixa de US$ 90 a US$ 100 o barril, em meio a perspectivas incertas sobre a resolução do conflito no Oriente Médio.

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Nas sete semanas de guerra no Irã, o Brent, referência para o mercado internacional, saiu de US$ 72 o barril e chegou a ultrapassar os US$ 100 por 17 vezes, segundo dados do Investing.com. Nesta quinta-feira (23), o contrato mais líquido do Brent para junho encerrou cotado a US$ 105,07 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Na avaliação de analistas, as fortes variações nas cotações do Brent devem continuar enquanto não houver avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

“Por enquanto, foram só promessas ou sinalizações de acordo. Caso amanhã todos entrem em um consenso e a guerra acabe, com a liberação do Estreito de Ormuz, haveria uma queda do petróleo em um primeiro momento, que poderia se tornar gradual ao longo do tempo”, afirmou o gerente da tesouraria do Banco Daycoval, Otávio Oliveira, em entrevista ao Money Times.

Para ele, “a tendência é a situação perdurar ou a tensão escalar”.

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Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o fechamento do Estreito de Ormuz – uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e controlado pelo Irã – é o principal ponto de atenção do mercado.

Cerca de um quinto do consumo global da commodity passa pelo “corredor”, que conecta grandes produtores do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar — aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte.

No início de abril, as notícias de um cessar-fogo temporário e a reabertura breve do Estreito chegaram a alimentar certo otimismo do mercado. No entanto, o sentimento durou pouco: nesta quarta-feira (22), o Irã atacou navios mesmo após o anúncio dos EUA de prolongar a trégua nos ataques “até que sua proposta seja apresentada e as discussões sejam concluídas, de uma forma ou de outra”.

Para onde vai o petróleo?

A expectativa é de que o petróleo siga pressionado no curto e médio prazo, mesmo em um cenário de acordo de paz duradouro, devido ao tempo necessário para reestabelecer os fluxos em Ormuz e a reconstrução de infraestrutura petrolífera no Oriente Médio.

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Para Otávio Oliveira, do Daycoval, não há perspectiva de queda brusca da commodity no curto prazo enquanto o conflito não apresentar uma solução concreta.

Segundo ele, em caso de uma negociação de paz duradoura, o petróleo tenderia a recuar lentamente para US$ 90 o barril, já que qualquer instabilidade mantém os investidores posicionados na commodity por “precaução”.

“Caso a situação se mantenha, o petróleo pode subir mais rápido do que ceder, e devemos ficar na faixa dos US$ 100”, afirma o gerente da tesouraria do banco.

Na semana passada, o Bradesco BBI atualizou as estimativas para o Brent e passou a projetar o barril a US$ 85 em 2026, de US$ 63 anteriormente. Para 2027, a projeção subiu de US$ 67,50 para US$ 80.

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“Em nossa avaliação, o conflito tende a provocar mudanças mais persistentes na dinâmica de oferta e demanda, incluindo a recomposição de estoques no pós-guerra, maior complexidade e custos para reativação de poços, aumento de despesas logísticas — como frete e seguros — e alterações estruturais nas rotas globais de suprimento, o que pode beneficiar produtores da América Latina”, escreveram os analistas Vicente Falanga e Ricardo França, do BBI, em relatório.

Já na avaliação do Goldman Sachs, o cenário atual apresenta um prêmio de risco menor para o petróleo.

Os ‘choques’ da guerra no Oriente Médio

Os preços mais elevados de energia impulsionam a inflação, reduzem a margem para cortes nas taxas de juros e podem desacelerar a atividade econômica global, destaca Oliveira, do Daycoval.

Diante desse cenário, Oliveira não descarta a possibilidade de manutenção dos juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano até o fim de 2026. Antes do conflito, a expectativa do banco era de corte de 0,75 ponto percentual no ano.

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O mercado, por sua vez, já precifica juros inalterados ao longo deste ano e vê possibilidade de algum corte pelo Fed apenas a partir do segundo semestre de 2027.

No Brasil, a expectativa do Daycoval é de diminuição no ritmo de cortes na Selic. “A redução na taxa de juros esperada do BC em março era de 0,50 ponto percentual, mas veio 0,25 ponto percentual”, afirmou o tesoureiro do Daycoval.

“O BC pode reduzir doses de corte. Os dados da inflação são concretos e objetivos, todo o resto é especulativo. O fato é que o petróleo tem mais chance de subir rápido do que de cair rápido”, acrescentou.

Na próxima semana, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed e o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC devem divulgar novas decisões de política monetária. Por lá, a probabilidade de manutenção na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano é de 99,5%, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group.

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Por aqui, a Opções do Copom – de acordo com a mais recente atualização, datada da última segunda-feira (20) – mostra 79,50% de chance de o Copom cortar a Selic em 0,25 pontos percentual, de 14,75% (atual) para 14,50% ao ano.

Efeitos na balança comercial

Mas, para além da política monetária, a alta do petróleo também tem efeitos na balança comercial – com destaque positivo para o Brasil, já que o país é exportador da commodity.

“Entre as grandes economias, com PIB superior a US$ 500 bilhões em 2025 – Brasil, México, Turquia, China, Indonésia, Índia e Coreia do Sul –, o Brasil é o único caso com saldo líquido positivo – considerando o percentual do comércio de petróleo e derivados e de fertilizantes –, o que reforça seu posicionamento relativamente mais favorável no início do choque geopolítico atual”, avalia a economista Iana Ferrão, do BTG Pactual, em relatório.

Além disso, o Brasil é o país, entre os analisados pela economista, que tem o maior colchão em dólares da amostra: US$ 16,4 bilhões em 2025. Em termos relativos, a Colômbia fica à frente, com 1,55% do PIB, enquanto o Brasil registra 0,72% do PIB.

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“Assim, o Brasil entra relativamente melhor posicionado do que a quase totalidade dos emergentes comparáveis.”

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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