Dívida Pública

Por que o Brasil seguirá com juros altos, segundo Mansueto Almeida, do BTG Pactual

30 jan 2026, 15:55 - atualizado em 30 jan 2026, 15:55
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'Sem ajuste fiscal, Brasil seguirá com juros altos', diz Mansueto Almeida, do BTG (Imagem: Reprodução/BTG Summit 2025)

O economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou que existe espaço técnico para o início do ciclo de cortes na taxa Selic a partir de março, mas alertou que, sem um plano fiscal crível, o Brasil seguirá convivendo com juros reais elevados.

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Em evento realizado nesta sexta-feira (30) na sede da B3, em São Paulo, o especialista avaliou que o Banco Central poderia ter iniciado o afrouxamento monetário já na última reunião, na quarta-feira (28), mas preferiu adiar a decisão após adotar uma comunicação mais dura ao longo de 2025.

“Já poderia ter acontecido o corte, mas foi a opção do BC. Como não houve sinalização clara de que o processo começaria em janeiro, optou-se por seguir a leitura do mercado, que passou a apostar no início do ciclo apenas em março”, disse.

Juros altos à vista

Embora o afrouxamento monetário esteja cada vez mais próximo, o economista alertou que o país terminará 2026 com juros ainda muito altos, especialmente quando considerada a taxa real.

“Vamos ser bem claro aqui. Independentemente de corte, vamos encerrar este ano com uma Selic muito elevada. Se você for muito otimista, espera uma taxa de 12% em dezembro. Com inflação projetada em 4%, isso significa juro real de 8%”, afirmou.

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‘O problema é o fiscal’

Na avaliação de Mansueto, o principal entrave não está propriamente na política monetária, mas, sim, na trajetória fiscal.

Durante sua fala, ele chamou atenção para o nível dos juros reais de longo prazo, que hoje giram em torno de 7,5% ao ano nas NTN-Bs (títulos do Tesouro Direto atrelados ao IPCA), ante cerca de 5,3% no início de 2024.

“Não existe nenhum país que estabilize a dívida pública pagando juro real de curto prazo perto de 10% e de longo prazo acima de 7%”, afirmou.

“Quem quer que seja o presidente a partir de 2027 vai ter que lidar com a questão fiscal. Se não, o juro longo não recua.”

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Crise de 2015

Ao comparar o momento com a crise de 2015 e 2016, o economista avaliou que o Brasil vive atualmente uma realidade bastante distinta.

Naquele período, o país enfrentava recessão profunda, queda acumulada de 7% do PIB, colapso de investimentos, desemprego acima de 10% e problemas estruturais em setores como petróleo, energia e imobiliário. “Nada disso existe hoje.”

Segundo Mansueto, o mercado de trabalho está aquecido, com taxa de desemprego de 5,1%, a menor da série histórica, e não há grandes desequilíbrios setoriais.

“A Petrobras está ajustada, a Eletrobras foi privatizada e o segmento imobiliário vem de vários anos positivos. O problema é fiscal.”

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Mansueto estimou que, para estabilizar a dívida pública, será necessário um ajuste da ordem de R$ 250 bilhões, algo que, em sua visão, não pode ser feito de forma abrupta.

Além disso, reconheceu avanços recentes no resultado primário, mas ponderou que a melhora decorreu principalmente do aumento da arrecadação, enquanto as despesas seguem em ritmo acelerado.

De acordo com dados do Tesouro Nacional citados pelo economista, entre 2014 e 2022, o crescimento real acumulado do gasto público federal não financeiro foi de 9%. Já entre 2023 e 2026, esse crescimento deve chegar a 20%.

“Não faz sentido, em nenhum país do mundo, ter um crescimento real de gasto dessa magnitude com a economia próxima do pleno emprego”, afirmou.

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Plano crível

Mansueto defendeu ainda a revisão de regras de indexação automática e lembrou a experiência do governo Temer, entre 2016 e 2018, quando o controle de despesas ajudou a reduzir rapidamente a inflação e a Selic. “Em dois anos, a taxa de juros caiu de 14,25% para 6,5%“.

De acordo com o economista, se o próximo presidente apresentar um plano crível de controle da despesa, mesmo que a dívida continue crescendo no curto prazo, o mercado tende a antecipar esse ajuste.

“Se houver clareza de que a dívida vai parar de crescer e começar a cair ao longo do mandato, já em 2027 pode surgir um cenário de queda forte dos juros”, projetou.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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