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‘Sempre existem complementariedades’, diz presidente da Gerdau (GGBR4) sobre eventuais aquisições

24 fev 2026, 13:32 - atualizado em 24 fev 2026, 13:32
gerdau ggbr4
CEO da Gerdau afirma que empresa analisará eventuais processos de venda no setor; operações no Brasil têm baixa utilização de capacidade e aguardam efeitos de medidas antidumping. (Imagem: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration)

A Gerdau (GGBR4) afirmou que irá avaliar eventuais oportunidades de aquisição de ativos em todas as geografias nas quais opera, incluindo o Brasil — o que, em tese, abre espaço para analisar o desinvestimento anunciado pela CSN (CSNA3) no mês passado.

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“Sempre que surge algum processo de venda de ativos no setor de aço, nós avaliamos com atenção. Sempre existem complementaridades. É difícil encontrar um negócio que não tenha algum tipo de sinergia”, disse o presidente-executivo da companhia, Gustavo Werneck, nesta terça-feira (24).

O comentário foi feito ao ser questionado sobre um possível interesse da Gerdau no processo de venda de ativos anunciado pela CSN em janeiro, considerando o nível de ociosidade das operações de siderurgia da empresa no Brasil.

“À medida que esses processos competitivos ocorrerem nas geografias que escolhemos para operar, vamos analisar”, acrescentou.

Atualmente, o nível de utilização da capacidade produtiva da Gerdau no Brasil está entre 60% e 70%, afirmou o vice-presidente financeiro, Rafael Japur, em entrevista a jornalistas após a divulgação dos resultados do quarto trimestre, na noite da véspera.

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Em janeiro, a CSN informou que pretende levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões em 2026 com a venda do controle de sua cimenteira e de uma participação relevante em uma holding que reúne ativos de infraestrutura de transporte do grupo. Na ocasião, a companhia também não descartou uma parceria estratégica em sua operação siderúrgica.

Segundo Werneck, no momento não há um processo estruturado — com bancos contratados e demais requisitos — para a venda de ativos siderúrgicos no Brasil.

“Por enquanto, são apenas especulações. Não há nada na mesa, nenhum processo que enxerguemos no mercado que nos permita decidir sobre uma eventual participação”, disse. Ele acrescentou que um processo formal desse tipo leva entre 12 e 18 meses para ser estruturado, “às vezes até mais”.

Antidumping

A Gerdau informou que sua operação no Brasil registrou margem Ebitda ajustada de 7,1% no quarto trimestre, o segundo pior resultado trimestral da empresa no país, segundo Japur.

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O pior desempenho ocorreu no quarto trimestre de 2015, quando a margem foi de 6,9%, em um período que o executivo classificou como uma “tempestade perfeita” para o setor siderúrgico brasileiro, incluindo os efeitos da Operação Lava Jato sobre a economia.

Apesar das medidas antidumping implementadas pelo Brasil desde o segundo semestre do ano passado, Japur afirmou que a companhia ainda tem pouca margem para ampliar investimentos no país. Segundo ele, a maior parte das operações brasileiras “está no vermelho”.

A expectativa, de acordo com Werneck, é que as medidas de defesa comercial comecem a produzir efeitos ao longo deste ano, com uma “leve redução” das importações de aço que vêm ocupando espaço no mercado doméstico. Uma queda mais significativa, porém, deve ocorrer apenas a partir de 2027.

Após decisões recentes sobre aços laminados a frio e revestidos, a empresa aguarda para julho uma medida semelhante para laminados a quente. Segundo o executivo, uma eventual decisão definitiva nesse segmento deve fortalecer a operação de aços planos da usina de Ouro Branco (MG), ampliando a oferta de bobinas a quente ao mercado brasileiro.

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“A demanda no Brasil está sólida quando comparada aos últimos anos. A questão é a penetração muito intensa de aço importado”, afirmou Werneck, acrescentando que a companhia não prevê novos fechamentos de capacidade no país em 2026, após os ajustes realizados em 2025.

Ao comentar a situação da mineração em Minas Gerais — afetada por fortes chuvas neste ano —, o presidente da Gerdau demonstrou confiança no setor, citando a certificação internacional IRMA obtida pela mina de minério de ferro da empresa em Miguel Burnier no ano passado.

“Infelizmente, alguns eventos recentes criaram a percepção de que não é possível minerar de forma sustentável ou segura. Mas existem operações de excelência em Minas Gerais. Sigo otimista, inclusive em relação às empresas que hoje enfrentam dificuldades”, disse.

Exterior

Werneck também afirmou que o projeto da usina de aços especiais no México permanece suspenso, ao menos até que haja maior clareza sobre as negociações entre Estados Unidos, Canadá e México em torno da revisão do acordo comercial USMCA, prevista para julho.

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“Sem uma visão mais clara sobre o rumo dessas negociações, não estaremos prontos para tomar essa decisão”, afirmou.

Na América do Norte, onde a empresa registrou margem de 21,1% no fim do ano passado — ante 10,8% no quarto trimestre de 2024 —, Japur destacou uma carteira de pedidos robusta. Werneck afirmou não ver sinais de deterioração nos próximos trimestres.

Sobre a recente derrubada das tarifas comerciais anunciadas por Donald Trump, o executivo afirmou que o movimento pode abrir oportunidades de exportação para as operações brasileiras.

Segundo ele, a reversão das tarifas pode reduzir o ritmo esperado de reindustrialização nos Estados Unidos, com impacto sobre a demanda por aço na região.

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“Temos clientes, como a indústria de autopeças, que exportavam muito para lá antes do tarifaço. A reconfiguração das tarifas pode ter efeitos positivos para as operações da Gerdau”, afirmou.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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