Setorialmente, o que Minerva (BEEF3), JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3), BRF (BRFS3) e M. Dias (MDIA3) encaram no 2º tri

Giovanni Lorenzon
15/05/2022 - 13:00
Carne bovina
Minerva foi a maior surpresa entre os frigoríficos de bovinos, acusando queda de 55,6% no lucro líquido. (Imagem: Shutterstock/ASA studio)

Algumas companhias do agronegócio que apresentaram seus balanços trimestrais em maio encontram ambientes setoriais divididos no segundo trimestre (2T22), já correndo, entre fundamentos mais amigáveis e outros com incertezas.

Desconta-se, portanto, variáveis de gestão corporativa, como impactos financeiros que, por exemplo, foram acusados nas receitas da Minerva Foods (BEEF3) no 1T22, via dólar.

Além do Minerva, vamos ver, em linhas gerais, Marfrig (MRFG3), JBS (JBSS3), BRF (BRFS3) e M. Dias Branco (MDIA3).

Bovinos

A Minerva foi a maior surpresa entre os frigoríficos de bovinos, acusando queda de 55,6% no lucro líquido (R$ 114,6 milhões, na comparação trimestral anual. A queda do dólar no período, impactando as receitas com exportação – quando o mercado esperava que o hedge funcionasse, como disse Mary Cleia, analista do Banco do Brasil ao Money Times -, foi o ponto negativo.

Agora a empresa deverá colher melhores resultados em custos de compra de boi, com a queda dos preços desde abril, e agora em maio com a chegada da estiagem – os produtores têm que desovar seu gado – podendo compensar também as pressões do mercado interno, também vistas no seu balanço.

A China voltou a comprar mais no mês passado, apesar do lockdown representar riscos em maio e junho, e também as vendas aos Estados Unidos, do setor todo, estão em mais 240% no quadrimestre, devendo seguir aceleradas.

E dólar voltou ao patamar de R$ 5.

Esses fatores seguem presentes, positivamente também, para JBS e Marfrig, mas mais ainda porque ambas tiveram desempenhos forte de suas subsidiárias nos Estados Unidos, responsáveis pelos bons resultados no acumulado de janeiro a março.

O mercado americano segue aquecido, apesar das pressões inflacionárias e o contracionismo monetário empregado pelo Federal Reserve (Fed).

Enquanto a JBS reportou lucro líquido de R$ 5,15 bilhões de reais, alta de 151,4%, a Marfrig teve queda amparada no aporte (follow-on) da BRF, consolidando lucro líquido de R$ 109 milhões, em recuo de 61%.

Suínos e frango

É possível que os custos da BRF comecem a ceder um pouco a partir de maio, ou ao menos no último mês do trimestre – julho.

A safrinha de milho, insumo mais pesado na engorda de porco e aves, vai chegar. Mesmo que haja fatores climáticos no Centro-Oeste, podendo cortar um pouco das expectativas de safra de inverno, ainda assim o Brasil colherá bons volumes.

Fica a dúvida, portanto.

Iguais às cotações de Chicago, alinhadas em estado de atenção de alta pelas incertezas do plantio, em atraso neste momento, mas ainda é possível recuperação.

Mas se se consolidar esses dois flancos pelo lado positivo, a companhia pode carregar menores custos, equilibrando com o consumo doméstico fraco. O prejuízo de R$ 1,58 bilhão no 1T22, contra lucro de R$ 22 milhões nos mesmos meses de 2021, vieram desses dois fundamentos, basicamente.

No caso da JBS, quando todos esperam que a Seara viesse a sentir esse peso sofrido pela BRF, as informações dos resultados ficaram acima das expectativas. A companhia confirmou essas pressões, mas conseguiu dar volume de vendas diluindo os custos nos preços e se preparando com compras antecipadas.

Agora pode se beneficiar mais ainda caso se confirme alguma queda nas despesas com compra de milho, além de postergar novos aumentos no mercado interno.

Derivados de trigo

O forte aumento do valor do trigo, principal insumo da M. Dias Branco, aconteceu em março, último mês do 1º trimestre, já que a invasão da Ucrânia pela Rússia se deu ao final de fevereiro.

Mas mesmo que a companhia tenha dito que suas compras de trigo são para quatro meses, não informou os volumes. De todo modo, as importações devem exigir mais despesas.

Somente em maio a cotação do trigo em Chicago saltou de US$ 10,54, no dia 2, para 11,77 no último dia 13, nos contratos de julho. Em abril a elevação também foi explosiva.

O governo zerou a alíquota de importação nesta semana, mas a valorização internacional – combinada ainda por safras prejudicadas na América do Norte e Europa, a ainda sem solução para o trigo russo e ucraniano -, pode anular totalmente.

A desvalorização do real, se mantida, acende outro foco de pressão à M. Dias Branco, que obteve expressivo resultado trimestral, de 152% superior, fechando em R$ 37,8 milhões no lucro líquido.

Na sexta a empresa cearense divulgou nova etapa de diversificação produtiva, tentando escapar um pouco da dependência do trigo e aproveitando a sinergia logística com nova linha de condimentos e temperos, além de snacks, mas deve ser melhor observadas, em termos de geração de caixa, mais a médio prazo.

Embora seja uma operação pequena, perto do core business, é uma porta que se abre rumo a incorporação de novos produtos ao portfólio no futuro.

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Última atualização por Giovanni Lorenzon - 16/05/2022 - 9:03

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