Shoppings mostram força no 4T25, mas dívida pressiona resultados; logística também se destaca, diz BTG
As empresas de shopping centers seguem apresentando métricas operacionais sólidas no Brasil, apesar de uma leve desaceleração nas vendas nas mesmas lojas (SSS) observada no quarto trimestre de 2025 (4T25), segundo o BTG Pactual.
Em relatório, o banco destacou que os resultados do setor vieram consistentes no período, embora a maior alavancagem, em geral, tenha limitado um avanço mais expressivo dos números.
De acordo com os analistas, o principal destaque do 4T25 foi o crescimento real dos aluguéis, além da manutenção de baixos níveis de vacância e inadimplência.
Por outro lado, o desempenho financeiro foi mais contido. A receita líquida consolidada avançou cerca de 3% ano a ano, enquanto o FFO (fluxo de caixa operacional) recuou aproximadamente 10%, pressionado pelo maior nível de endividamento e pelo custo de capital mais elevado. A avaliação é de que esse cenário deve persistir ao longo de 2026.
“De modo geral, o 4T25 apresentou tendências semelhantes às do 3T25 para os shoppings. O crescimento das vendas desacelerou em relação ao primeiro semestre de 2025, enquanto os demais indicadores operacionais permaneceram sólidos”, afirmaram.
“Levando tudo em consideração, continuamos otimistas em relação às operadoras de shopping centers, pois elas possuem carteiras dominantes, líderes em seus mercados, e devem se beneficiar da queda nas taxas de juros no Brasil”, acrescentaram.
Entre os destaques, a Allos (ALOS3) aparece como a principal aposta (top pick) do BTG no segmento, negociada a cerca de 10 vezes o múltiplo P/FFO estimado para 2026.
Logística e escritórios
No segmento logístico, por sua vez, o banco destacou que o desempenho segue em forte expansão. Segundo a casa, o quarto trimestre reforçou a tendência observada ao longo de 2025, com alta demanda — impulsionada principalmente pelo e-commerce — e níveis de vacância próximos das mínimas históricas.
Na prática, com oferta limitada, os proprietários têm conseguido reajustar aluguéis acima da inflação, sustentando o crescimento.
Os galpões classificados como AAA (premium) continuam entre os mais beneficiados, segundo os analistas.
Nesse cenário, o BTG aponta que a LOG (LOGG3) segue bem posicionada, com exposição a tendências estruturais positivas e retorno atrativo, com taxa interna de retorno (TIR) real estimada em 12%.
Já no setor de escritórios, os dados apontam para uma recuperação gradual. Imóveis de maior qualidade continuam com desempenho superior, mas já há sinais de melhora mais ampla, com queda disseminada da vacância, apontou o relatório.