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Sidnei Nehme: Brasil tende a agravar perda de atratividade, ofuscado por perspectivas incertas

19/07/2018 - 8:00

Por Sidnei Moura Nehme, economista e diretor executivo da NGO

Embora haja certo comedimento por parte do mercado financeiro que busca manter um ambiente ainda com residual otimismo, o fato concreto é que veladamente há um questionamento sem alardes focando “se o que está ruim pode ficar pior”.

O trimestre que se aproxima – agosto a outubro – promete sancionar que o ano está findo e o que resta é a definição da sucessão presidencial, sobre a qual não se consegue construir cenários sustentáveis, visto que campeiam dúvidas e incertezas absolutas sobre os possíveis e viáveis candidatos e suas capacidades para prover de soluções os dantescos problemas com que se defronta o país, com ênfase a questão fiscal, e ainda residualmente dúvidas sobre a candidatura do ex-Presidente Lula, havendo expectativa de fortes acirramentos, para o que contribui sobremaneira o ambiente de insegurança jurídica instalado no país.

Não é razoável que neste interregno de 3 meses no mínimo se vislumbre retomada da atividade econômica, recuperação de emprego que atinge quase 13 milhões de brasileiros, que provoca a expressiva magnitude de mais de 60 milhões de brasileiros inadimplentes, sem perspectivas de elevação de renda e consumo, e a expressiva crise fiscal que no dia a dia ainda vem ganhando novos inputs agravantes de forma absolutamente irresponsável.

É um raio X muito negativo? Acreditamos que não, sendo, entretanto, desconfortável expor e conviver com este contexto que trás absoluto desalento a todas as camadas da sociedade.

Na margem temos um silencioso incremento da pressão inflacionária que é real, mas que habilmente, juntamente com tudo que há de ruim presente ou em perspectiva, atribuída a famigerada greve dos caminhoneiros, o que é uma meia verdade, o “bonde já estava fora dos trilhos” o que aconteceu foi um impulso a mais que trouxe “a valor presente o que estava sendo postergado para ser visto no futuro”.

Evidentemente que está “perda de brilho” do Brasil está claramente perceptível aos investidores estrangeiros e nacionais que têm recursos na conta capital, mas principalmente para os investidores, em grande parte especuladores, em renda variável e renda fixa, que sempre foram beneficiários de generosos ganhos no Brasil.

O que esperar então daqui até as eleições? Precaução e posturas defensivas.

Na economia real parada nos investimentos na conta capital, pois a sensatez deve induzir à espera das definições eleitorais e as novas perspectivas que surjam para superar os graves problemas que afetam o país.

No mercado financeiro um movimento de reacomodação dos investimentos em posições defensivas acentuadamente pelos nacionais, enquanto se espera que haja incremento de saídas dos investidores estrangeiros.

Embora o país proporcione aos estrangeiros instrumentos operacionais que protegem seus investimentos de perdas cambiais, a questão sucessória altamente indefinida e as posturas populistas ante os sérios problemas com que se defronta o país são por si sós fatores que tendem a induzir a saída destes investimentos do país, e a nossa percepção é que os movimentos de alta em torno da Bovespa sejam carentes de sustentabilidade, mas sim, foquem a preparação do mercado para eventual movimento de desmonte de posições para o retorno dos valores com lucro às suas origens.

Mas, o Brasil tem suas contradições e desta vez, embora esteja pagando suas contas internas com “cheque especial” já que realiza relevante déficit fiscal no fechamento das contas, tem uma capacidade de solvência única entre os emergentes para suportar saída de recursos estrangeiros e tem mecanismo operacional adequado para o atendimento de liquidez no mercado a vista no primeiro momento, sem reduzir o montante de suas reservas cambiais, realizando empréstimos de linhas em moeda estrangeira com recompra ao sistema bancário autorizado a operar em câmbio com recompra, assim mantendo o montante de reservas cambiais inalterado no conceito de liquidez internacional e reduzindo-o no conceito à vista no conceito caixa por ficar com recebível à prazo.

E, por último, se absolutamente necessário poderia vender então divisas da sua reserva cambial, o que parece improvável.

Então o país não tem risco de crise cambial, pode ter um aumento de volume de demanda no mercado a vista até mesmo sem impactar na formação do preço da moeda americana, desde que opere suprindo as demandas de forma pontual.

Há, contudo, fatores imponderáveis que podem impulsionar o preço da moeda americana para baixo ou para cima, prevalecente no momento o viés de alta, mas precisarão ser de magnânima relevância, pois o preço do dólar no intervalo de R$ 3,80 a R$ 3,95 nos parece bastante sustentável e já protegida pela precificação antecipada de inúmeros vetores que estão no radar, o que forma um colchão de sustentação.

Os ruídos decorrentes da guerra comercial devem se intensificar, mas a tendência é não ter vencedores como habitual, todos perdem e tem seus produtos encarecidos, mas os efeitos efetivos demandam tempo para maturação e percepção de suas efetividades, havendo agora muitas manifestações, como a do FMI considerando desfavorável aos Estados Unidos, que parecem ter mais o objetivo de exercer pressão sobre os contendores para que atenuem seus ímpetos. Ao final, os preços relativos buscam ajustes e reequilíbrio.

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Última atualização por Conrado Mazzoni - 19/07/2018 - 6:42

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