SLC Agrícola (SLCE3): Bank of America eleva preço-alvo após rali de 23% em 2026; vale comprar?
As ações da SLC Agrícola (SLCE3) acumulam alta de cerca de 23% em 2026, superando com folga o Ibovespa, que avança por volta de 12% no mesmo período. O movimento reflete, principalmente, a valorização da soja no mercado internacional, que sobe mais de 12% no ano.
Diante desse cenário, o Bank of America revisou suas estimativas para a companhia e elevou o preço-alvo das ações de R$ 18 para R$ 20. Apesar do ajuste positivo, o banco manteve recomendação neutra para o papel — o que levanta a dúvida: ainda há espaço para novas altas?
Segundo o BofA, os fundamentos para os grãos seguem construtivos no curto prazo. A combinação de estoques globais apertados, especialmente no milho, e a expectativa de maior demanda chinesa por soja tende a sustentar os preços agrícolas.
“Além disso, o cenário pode ser agravado por riscos climáticos, como o avanço do El Niño, e por impactos geopolíticos, como o conflito no Irã, que pressiona os custos de fertilizantes”, explicam Isabella Simonato e Julia Zaniolo.
Por outro lado, esses fatores positivos devem ser parcialmente anulados por ventos contrários relevantes. O banco destaca três pontos principais: custos de produção mais elevados, valorização do real frente ao dólar e desempenho mais fraco das operações de hedge em algodão.
Com isso, a instituição revisou para baixo suas projeções de rentabilidade. O Ebitda estimado para 2027 foi cortado em cerca de 10%, enquanto as margens devem recuar entre 2,5 e 5,5 pontos percentuais nos próximos anos.
Vale a pena comprar SLCE3?
Outro ponto de atenção está na geração de caixa. O BofA projeta uma queima de aproximadamente R$ 100 milhões em 2026, com recuperação apenas em 2027, à medida que os desembolsos relacionados a aquisições sejam concluídos.
Mesmo com o cenário favorável para os preços das commodities, o Bank of America avalia que os riscos do lado de custos e câmbio limitam o potencial de valorização adicional das ações da SLC Agrícola no curto prazo.
Assim, a recomendação neutra indica uma visão mais equilibrada: a empresa segue bem posicionada no ciclo de grãos, mas o rali recente já incorpora boa parte desse otimismo.