Small cap da bolsa cai mais de 8% após balanço do 4T25; é hora de comprar ou vender?
Uma das small caps negociadas na bolsa de valores, a construtora e incorporadora Lavvi Empreendimentos (LAVV3) vê suas ações reagirem negativamente ao balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25), divulgado na noite de ontem (11).
Por volta das 15h (horário de Brasília) desta quinta-feira (12), os papéis da companhia figuravam entre as maiores quedas do pregão, com recuo de 8,5% na B3, cotados a R$ 15,82. Acompanhe em tempo real.
‘Desempenho mais fraco que o previsto’
Na visão do Bradesco BBI, a Lavvi apresentou resultados mais fracos que o previsto no 4T25, com receita líquida de R$ 530 milhões, queda de 8% na comparação anual.
No acumulado de 2025, cabe ressaltar, a receita da companhia somou cerca de R$ 1,8 bilhão, crescimento de 14% em relação a 2024.
O lucro líquido, por sua vez, totalizou R$ 105 milhões entre outubro e dezembro, redução de 13% quando comparado com o mesmo período do ano anterior.
A margem bruta da construtora também recuou, de 37,6% para 35,5%, enquanto a alavancagem atingiu 22,1% do patrimônio líquido.
Segundo o banco de investimentos do Bradesco, o resultado foi pressionado, em partes, por despesas comerciais e participações minoritárias acima do esperado.
Desempenho operacional
No campo operacional, os lançamentos da Lavvi somaram R$ 880 milhões em valor geral de vendas (VGV) no quarto trimestre, impulsionados pela estreia da companhia em São Caetano do Sul (SP) e por empreendimentos relevantes nos segmentos de média e alta renda.
As vendas líquidas totalizaram R$ 718 milhões no período, enquanto a velocidade de vendas (VSO) dos últimos 12 meses ficou em 52%.
Apesar disso, de acordo com o BBI, o destaque do balanço foi o landbank (banco de terrenos), que avançou de forma relevante e alcançou R$ 5,9 bilhões em potencial de VGV após novas aquisições.
“Embora mantenhamos uma visão construtiva para o setor e reconheçamos o reforço do banco de terrenos e a solidez da estratégia de lançamentos, será importante entender se a tendência de margens mais apertadas pode se estender ao longo de 2026, o que, caso confirmado, poderia levar à revisão das estimativas”, afirmou a casa em relatório.
Segundo o banco, atualmente a companhia negocia a múltiplos considerados atrativos, como 7,1 vezes o P/L estimado para 2026, e projeção de crescimento médio anual do lucro de 27% entre 2025 e 2027 — o que sustenta uma avaliação positiva para o médio prazo.
O que diz o BTG
De maneira um pouco menos cautelosa, o BTG Pactual avaliou que a Lavvi apresentou um quarto trimestre sólido, mas sem grandes surpresas, com resultados em linha com as estimativas internas.
Embora a receita líquida tenha recuado 8% na base anual, o número, de R$ 530 milhões, ficou dentro das projeções do banco — impulsionado pelo forte desempenho dos lançamentos no período.
A queda de 13% no lucro líquido também já era aguardada pela instituição, refletindo uma base de comparação mais difícil.
Ainda assim, a casa destacou que o resultado garantiu um bom retorno sobre o patrimônio (ROE) anualizado, de 28%.
Queima de caixa e distribuição de dividendos
O BTG apontou, porém, que a Lavvi reportou uma queima de caixa de R$ 45 milhões no 4T25, principalmente devido à compra de terrenos.
Além disso, considerando os R$ 275 milhões em dividendos pagos no período — estratégia que, segundo o banco, buscou antecipar distribuições antes da nova tributação —, a dívida líquida da construtora encerrou 2025 em R$ 398 milhões.
“Embora o cenário macroeconômico siga desafiador, com taxas de juros ainda elevadas, acreditamos que a empresa continuará superando seus pares devido ao seu banco de terrenos premium, voltado para a alta renda, ao mesmo tempo em que cresce no segmento do Minha Casa, Minha Vida por meio da sua marca Novvo”, destacou o BTG.
A casa também possui recomendação de compra para as ações LAVV3, apontando que os papéis são negociados a cerca de 7 vezes o lucro estimado para 2026.