Comprar ou vender?

Surge uma potencial pagadora de dividendos na bolsa — e ela pode subir mais de 50%

17 jun 2026, 13:01 - atualizado em 17 jun 2026, 13:01
dividendos motiva
(Imagem: Canva Pro)

A janela de IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) em 2026 não evoluiu como parte do mercado esperava. Até o momento, apenas três companhias brasileiras abriram capital. Uma delas, porém, reúne uma característica que costuma agradar aos investidores da bolsa: potencial para distribuir bons dividendos.

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Trata-se da Compass (PASS3), controlada pela Cosan (CSAN3). A empresa levantou R$ 3,2 bilhões em sua oferta e é considerada uma das principais joias do grupo. Não por acaso, recebeu cobertura de quatro instituições financeiras — Itaú BBA, BTG Pactual, Citi e Bradesco BBI —, todas com recomendação de compra para a ação.

CorretoraRecomendaçãoPreço-alvoPotencial
Bradesco BBICompraR$ 3740%
Itaú BBACompraR$ 3533%
CitiCompraR$ 3852%
BTGCompraR$ 3852%

Para os analistas, a Compass, que atua na distribuição de gás em sete concessões localizadas nas regiões Sul e Sudeste, reúne características típicas de uma compounder — empresas de alta qualidade, com vantagens competitivas duradouras e capacidade de crescimento consistente ao longo do tempo.

Na distribuição de gás, a companhia atende 3,1 milhões de clientes por meio de uma rede de 28 mil quilômetros de dutos. Seu principal ativo é a Comgás, presente em 177 municípios paulistas. Além disso, possui participação em outras distribuidoras, como Necta, Sulgás, Compagás e Commit, esta última em parceria com a Mitsui, incluindo fatias na MSGás, SCGás e CEG Rio.

Já o segmento de marketing e serviços, operado pela Edge, representa a principal frente de crescimento da companhia. A unidade atua na compra e venda de gás natural e na operação de infraestrutura estratégica, como o terminal de regaseificação TRSP, em Santos, e a OneBio, maior planta de biometano do Brasil, localizada em Paulínia (SP).

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Entre os principais diferenciais apontados pelos analistas estão:

  • proteção contra a inflação;
  • crescimento impulsionado por juros compostos;
  • estabilidade e baixa volatilidade para operar em um ambiente econômico como o brasileiro.

“Concessões de distribuição de gás natural são tediosas. Mas o tédio é bom!”, resume o BTG.

Dividendos da Compass?

A Compass chega à bolsa cercada pela expectativa de ser uma boa pagadora de dividendos. Em seu cartão de visita, a companhia informou a distribuição de R$ 405,5 milhões.

Na avaliação do Citi, a empresa também se destaca pelo potencial de remuneração aos acionistas graças à sua alavancagem confortável. Considerando uma taxa de distribuição (payout) de 75% entre 2027 e 2028, o banco estima um dividend yield médio de 9% no período.

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O Bradesco BBI compartilha dessa visão. Segundo os analistas, a Compass oferece uma combinação atrativa de previsibilidade de fluxo de caixa e potencial de crescimento estrutural.

Entre os principais pontos destacados estão:

  • histórico comprovado na operação de concessões;
  • posicionamento pioneiro na comercialização de gás no mercado livre;
  • flexibilidade proporcionada pela infraestrutura própria de GNL;
  • estrutura de capital sólida, com potencial relevante de distribuição de dividendos.

Ainda assim, esse cenário dependerá da assinatura de novos contratos — especialmente com usinas térmicas e clientes industriais —, que devem reduzir incertezas e aumentar a visibilidade sobre a expansão dos volumes comercializados. Outro fator importante é o avanço da segunda fase do terminal de regaseificação, que tende a ampliar a capacidade operacional da companhia, ressaltam os analistas.

Edge, a fronteira do crescimento

Se a Compass é a joia da Cosan, a Edge merece um capítulo à parte. A plataforma é vista como o principal diferencial competitivo da companhia.

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O grande trunfo da operação está na combinação entre comercialização de gás, infraestrutura de GNL, produção de biometano e ferramentas de otimização de portfólio em um ecossistema integrado.

“À medida que o mercado de gás brasileiro continua seu processo de liberalização e os clientes industriais buscam soluções energéticas mais flexíveis e com menor emissão de carbono, a Edge está bem posicionada para capturar essa demanda incremental”, destaca o Citi.

Segundo os analistas, a combinação entre fluxos de caixa regulados e oportunidades de crescimento sustenta um dos perfis de risco-retorno mais atraentes dentro do universo de cobertura do banco.

O Itaú BBA destaca que a Edge registrou Ebitda de R$ 653 milhões em 2025, com volume comercializado de 437 milhões de metros cúbicos, alta de 63% em relação a 2024.

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Esse crescimento foi impulsionado pela expansão do mercado livre e pela diversificação das fontes de suprimento, incluindo gás de fornecedores internacionais e produção doméstica.

A empresa também possui um contrato relevante com a TotalEnergies, com capacidade de até 12 milhões de metros cúbicos por dia e elevada flexibilidade comercial, “incluindo a possibilidade de capturar diferenças de preços entre mercados internacionais”.

Além disso, a Edge opera um dos terminais de regaseificação de GNL do país, com capacidade de 14 milhões de metros cúbicos por dia, e pretende elevar os volumes comercializados de cerca de 6 milhões para 22 milhões de metros cúbicos diários até 2030.

A estratégia envolve atender indústrias, usinas térmicas, distribuidoras e o segmento de transporte pesado, por meio de soluções on-grid e off-grid.

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Avaliação atrativa

Como cereja do bolo, os analistas consideram que a ação ainda negocia a múltiplos atrativos.

Segundo o Citi, o papel apresenta uma taxa interna de retorno (TIR) real implícita de 16% e negocia a um múltiplo EV/Ebitda de 5,2 vezes para 2026, “o que o torna um dos nomes mais atraentes sob nossa cobertura”.

Já o Bradesco BBI estima que a companhia negocie a 6,1 vezes o EV/Ebitda projetado para 2026 e a 12,8 vezes o lucro esperado, representando um desconto de aproximadamente 35% em relação aos concorrentes diretos.

“Em nossa avaliação, esse desconto não reflete plenamente o perfil de crescimento e geração de retorno da companhia. A taxa interna de retorno implícita também permanece atrativa frente ao setor, reforçando o potencial de valorização das ações”, conclui o banco.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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