Taesa (TAEE11) indica novos dividendos, projeta menos capex e mantém leilões e baterias no radar
A Taesa (TAEE11) indicou na teleconferência do quarto trimestre de 2025 que ainda há espaço para reforçar a remuneração ao acionista depois de um ano marcado por investimentos pesados. A companhia lembrou que há uma proposta de R$ 302 milhões em dividendos remanescentes pendente de deliberação em assembleia, com data-base em 29 de abril e pagamento previsto para 27 de maio.
A sinalização se soma ao que já apareceu no balanço e ajudou a sustentar a leitura construtiva dos analistas. No trimestre, a transmissora anunciou R$ 313,1 milhões em dividendos, o equivalente a 100% do lucro regulatório do período.
Para o Itaú BBA, o pagamento veio dentro do previsto e reforça o perfil defensivo da companhia. “Os dividendos totais, somados aos juros sobre capital próprio de 2025, implicam um dividend yield de cerca de 7,7% e um payout de 100% sobre o lucro líquido regulatório”, escreveram os analistas liderados por Fillipe Andrade.
No BTG Pactual, a equipe encabeçada por Antonio Junqueira também chamou atenção para a distribuição. “A Taesa anunciou R$ 313 milhões em dividendos, o que implica um dividend yield de 2,1% no trimestre, ou um payout de 100% sobre o lucro líquido regulatório do 4T25”, afirmaram, destacando ainda que o total distribuído em 2025 chegou a R$ 1,124 bilhão.
Menos capex em 2026
Na teleconferência, a diretora financeira e de relações com investidores, Cátia Pereira, reforçou que a companhia pretende manter essa prática. Segundo a executiva, a política segue alinhada à geração de caixa operacional e foi preservada mesmo em um ano mais pressionado do ponto de vista financeiro.
A Taesa atravessou 2025 em meio a um ciclo intenso de investimentos. Cátia lembrou que o ano trouxe um capex recorde de R$ 1,8 bilhão, em um ambiente de juros elevados, e que o principal desafio foi segurar a alavancagem.
Ela ressaltou ainda que a geração de caixa operacional ficou em cerca de 115% do Ebitda sob a ótica regulatória. Já para 2026, a mensagem é de alívio maior. Com a entrada em operação dos principais projetos, a Taesa espera reduzir o ritmo de investimentos e começar um processo mais visível de desalavancagem.
“A gente já tem uma desalavancagem contratada”, disse Cátia. “A grande maioria dos grandes projetos será entregue dentro do primeiro semestre. Isso faz com que a gente volte com esse nível de alavancagem para a casa de 4 vezes”.
Taesa monitora oportunidades
Mesmo com a queda esperada no capex, porém, a Taesa não pretende sair do radar de crescimento. O diretor de negócios, Maurício da Cunha, afirmou que a Taesa segue atenta aos próximos leilões de transmissão, em um momento em que o setor vê uma quantidade nova de projetos. Autoridades esperam que 2026 movimente algo próximo dos R$ 25 bilhões nesta frente.
“Nós somos muito otimistas com as oportunidades disponíveis de forma geral”, disse. Segundo ele, a empresa vê espaço para crescer com novos projetos, reforços, melhorias e também nos certames previstos para este ano, mas mantendo, contudo, “disciplina na alocação de capital”.
Outro ponto que analistas do setor elétrico monitoram é o interesse de companhias em baterias e sistemas de armazenamento. Nesta frente, Maurício afirmou que a companhia já avalia a possibilidade de atuar nesse segmento, mas ponderou que a agenda ainda depende da evolução regulatória.
“Nós temos interesse pelo assunto, estamos desenvolvendo as capacidades internas, mas pretendemos nos posicionar nesse tema conforme as regras sejam conhecidas”, afirmou.
Análises dos resultados
No resultado, a Taesa reportou receita líquida de R$ 644 milhões no 4T25, alta de 10,8% em um ano, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 537 milhões, avanço de 11,8%. O lucro líquido regulatório foi de R$ 313 milhões, alta de 56%.
Para o Itaú BBA, “o aumento da receita foi puxado principalmente pela entrada em operação de Pitiguari, pelos reforços e melhorias em Novatrans e pelo reajuste positivo de IGP-M e IPCA no ciclo de RAP 2025-2026”. Já o BTG resumiu o trimestre como “Ebitda em linha e resultado final forte”.
Na teleconferência, o CEO Rinaldo Pecchio reforçou, por fim, que a conclusão das obras deve mudar o porte operacional da empresa. “A gente tem uma fase de final de obras, que vai levar o patamar da receita da companhia para um outro nível”, afirmou. Segundo a administração, a maior parte do backlog em implantação deve ser concluída no primeiro semestre, com destaque para Tangará e Ananaí.
No fim, a leitura dos analistas foi positiva, mas sem grande mudança de tese. O Itaú BBA classificou o trimestre como neutro e manteve recomendação market perform, com preço-alvo de R$ 44,90. O BTG Pactual, por sua vez, reconheceu um resultado sólido, principalmente na última linha, mas reiterou recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 37.