Tecnologia e dividendos: quais empresas da B3 mais pagam ao acionista
O setor de tecnologia se tornou, nos últimos meses, um dos que mais atraem a atenção de investidores brasileiros e estrangeiros nos pregões. O apetite crescente por ativos ligados à Inteligência Artificial (IA), tecnologia que promete redesenhar cadeias de negócios inteiras em setores como serviços financeiros, varejo e indústria, elevou o interesse por companhias de tecnologia listadas em bolsa, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
A perspectiva de rentabilidade associada aos avanços em IA tem funcionado como um ímã para o capital que busca crescimento acima da média do mercado, reposicionando o setor no radar de gestores de fundos e investidores pessoa física.
Apesar da diferença de tamanho entre a B3 e as bolsas americanas, entre as empresas de tecnologia listadas na bolsa paulista há nomes que conseguem unir um modelo de negócio consolidado à distribuição consistente de resultados aos acionistas – uma combinação que interessa especialmente a investidores que buscam retorno via dividendos e não apenas ganho de capital, e que mostra que o tamanho reduzido do mercado brasileiro não impede a existência de boas pagadoras de proventos no setor.
Levantamento produzido pela Elos Ayta, que reúne companhias do setor de programas e serviços financeiros com volume médio diário superior a R$ 1 milhão nos últimos 12 meses, mostra um retrato da rentabilidade do setor de tecnologia da B3.

Enquanto nomes de maior porte e maior liquidez, como B3 (B3SA3) e Totvs (TOTS3), registraram dividend yield de 5,81% e 1,58%, respectivamente, no acumulado até 31 de agosto de 2026, companhias de menor capitalização apresentaram números mais expressivos de distribuição de lucros aos acionistas – um padrão frequente entre empresas que adotam políticas de payout mais agressivas em relação ao lucro líquido gerado.
É o caso da CSU Digital (CSUD3), que aparece no levantamento com dividend yield de 12,45% no acumulado até 31 de agosto de 2026, o maior índice entre as seis companhias do setor consideradas na pesquisa – à frente de Bemobi Tech (9,90%), Lwsa (7,22%), B3 (5,81%), Totvs (1,58%) e Meliuz (0,00%). Em 2025, a companhia já havia entregado dividend yield de 18,10%, ficando atrás apenas da Bemobi Tech (19,45%) naquele ano, mas à frente de todas as demais companhias do levantamento.
O desempenho recente da CSU também supera a mediana do IDIV, índice de dividendos da própria B3, que ficou em 10,02% no período, e fica muito acima das medianas do Ibovespa (5,39%) e das small caps (4,06%) apuradas pela Elos Ayta no mesmo levantamento – um indicativo de que a companhia vem entregando aos seus acionistas uma remuneração acima da média tanto do setor de tecnologia quanto do mercado acionário brasileiro como um todo.
Nos últimos cinco anos, a companhia distribuiu ao menos 50% do lucro líquido em proventos, o dobro do mínimo obrigatório previsto em seu estatuto social. Em 2025, a distribuição incluiu ainda R$ 50 milhões em dividendos extraordinários, o que elevou o total pago aos acionistas naquele ano para R$ 97,1 milhões.
A CSU adota um calendário trimestral de distribuição via juros sobre capital próprio, deliberado pelo Conselho de Administração e imputado ao dividendo estatutário – uma prática que busca dar previsibilidade ao acionista ao longo do exercício, em vez de concentrar toda a remuneração em um único evento anual, sempre respeitadas as deliberações do Conselho de Administração e da Assembleia.
As empresas de tecnologia listadas na B3 despontam como uma opção a ser observada por investidores que buscam equilíbrio entre exposição a um setor de crescimento estrutural. Nesse universo, a CSU Digital se destaca como uma das principais pagadoras de proventos do setor, sustentando historicamente uma política de distribuição acima do mínimo estatutário e ampliando esse retorno em anos de resultados mais fortes. Esse segmento ainda é pouco explorado pelo investidor de varejo, mais habituado a associar tecnologia a crescimento e reinvestimento do que a distribuição de proventos.