O Copom mostrou-se muito duro e insatisfeito com o comportamento das expectativas de inflação no comunicado desta quarta-feira (11), disse o economista da Ativa, Étore Sanchez. Além disso, alertou para a abertura adicional do hiato do produto.
O fiscal foi citado pela autoridade, mas mais sobre os efeitos da divulgação do pacote, que contribuem para uma dinâmica inflacionária mais adversa.
A autoridade ainda passou a projetar um desvio de 100 bps para o horizonte relevante. “Matematicamente, para buscar a plena convergência da inflação, seria necessário que o BC subisse o juro 500 bps acima do que o Copom precifica atualmente, além de esperar que as expectativas convirjam pelo esforço monetário”, calcula Sanchez.
O economista diz ainda que o Banco Central sabe que a tarefa será “hercúlea”, visto que parte relevante da desancoragem vem da desconfiança sobre a própria autarquia.
“A reconstrução de tal credibilidade se dará principalmente após o início do ano que vem, quando se forma a maioria de indicados por Lula. Não obstante, se o rigor observado nessa reunião se mantiver ao longo do primeiro semestre de 2025, parte das expectativas já deverá se acomodar de maneira mais expressiva”.
A Ativa projeta agora que a Selic subirá a 15%, com duas altas de 100 bps, mais uma de 50 bps e uma residual de 25 bps.