Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, o maior destaque da decisão do Copom é a flexibilização do guidance de política monetária.
O Comitê do Banco Central elevou os juros em 1 p.p. para 14,25% ao ano, e contratou mais uma nova alta na próxima reunião, em maio.
“A autoridade fez modificações pontuais no comunicado, aprimorando o parágrafo prospectivo para afirmar que a próxima elevação da Selic será de menor magnitude”, afirma Sanchez.
“A justificativa incluída pela autoridade dá um aspecto bastante dovish à perspectiva sobre a Selic, visto que o enfraquecimento da atividade foi classificado como incipiente, e o BC alegou que a desaceleração da alta se dará por conta das incertezas e das defasagens do aperto monetário. Isso significa que o BC julga que a restrição atual já deve ter efeitos relevantes sobre a economia, restando apenas aguardar o impacto defasado da política monetária sobre a inflação”, acrescenta.
Sanchez projeta a alta de 50 pontos-base em maio, o que levaria a Selic para 14,75% ao ano e “conduzirá a taxa a 15%, encerrando o ciclo com uma alta residual de 25 pontos-base”.
“O BC alegará que adotará a estratégia do wait and see, prevendo que os juros permanecerão elevados por tempo suficientemente prolongado até que haja a convergência da inflação para a meta.”