Tenda (TEND3) quer elevar fatia de investidores estrangeiros de 20% para mais de 50% em 2026
A construtora Tenda (TEND3) quer aumentar a participação acionária de investidores estrangeiros na companhia da parcela atual de 20% para mais de 50% até o final de 2026. Para alcançar o objetivo, a empresa vem retomando uma agenda internacional de relacionamento desde o segundo semestre de 2025.
Em setembro, a companhia focada em habitação popular e que afirma ser a quarta maior incorporadora do país participou de conferência internacional do UBS, em Nova York, onde também realizou encontros com gestores, algo que também ocorreu em Londres.
Em dezembro, a empresa já havia promovido um roadshow em Cingapura e Hong Kong. Neste mês de janeiro, a construtora volta para Londres e EUA para outros roadshows. A ideia é realizar um evento a cada trimestre.
“Temos que fazer com que a companhia se torne mais conhecida. Como diz o ditado, temos que ‘gastar a sola do sapato'”, disse Luiz Mauricio Garcia, vice-presidente financeiro da companhia, à Reuters.
Para elevar a participação do investidor estrangeiro, a companhia pretende manter resultados consistentes ao longo de 2026.
“Estamos bem posicionados. O ‘guidance’ para 2026 tem expectativa de continuar crescendo”, disse Garcia, referindo-se as perspectivas de lucros e vendas.
Em apresentação a investidores em dezembro, a Tenda anunciou que espera lucro líquido entre R$ 520 milhões e R$ 600 milhões em 2026. Em 2024, a empresa teve lucro de R$ 210,7 milhões.
As vendas líquidas do segmento Tenda, de construção de apartamentos em regiões metropolitanas, foram estimadas entre R$ 5 bilhões e R$ 5,5 bilhões, enquanto no segmento Alea, voltado à produção de casas em uma fábrica para instalação em condomínios, entre R$ 350 milhões e R$ 450 milhões.
O último balanço divulgado pela Tenda, referente ao terceiro trimestre (3T25), mostrou que a companhia teve expansão de 46,6% no lucro líquido na comparação anual.
“Tínhamos valor de mercado que era abaixo da regra de corte para muitos desses investidores (estrangeiros). Mas a gente superou esse patamar”, disse Garcia, acrescentando que o patamar de corte para investidores estrangeiros costuma ser em média US$ 500 milhões.
A Tenda tem um valor de mercado de cerca de R$ 3 bilhões, segundo dados da LSEG. Em 2025, as ações da empresa acumularam alta de 107,7%.
Garcia citou dados de apresentação da Tenda realizada em dezembro que mostram participação significativa de investidores estrangeiros no capital acionário de empresas do setor no Brasil.
Na apresentação a investidores, Direcional e Cury são citadas com 57% de participação de investidores estrangeiros na base acionária, seguidas por MRV, com 41%. A Tenda aparece com 22%.
Momento favorável
A companhia avalia tanto a conjuntura interna quanto externa como favoráveis para o segmento de construção. “O Brasil voltou ao radar de investidores de mercados emergentes. Esse cenário nos posiciona bem para atrair esse interesse do investidor”, disse o vice-presidente financeiro da Tenda.
No plano doméstico, a proximidade da eleição em outubro e a possibilidade de uma mudança de governo não preocupam a empresa, tendo em vista a relevância do programa Minha Casa, Minha Vida.
“Não vemos nenhum risco para ele (Minha Casa, Minha Vida) a médio e longo prazos”, afirmou Garcia.
Segundo ele, essa avaliação decorre da percepção de que o programa é bastante sólido. “Independente do resultado da eleição, a gente espera que o programa continue rodando. O programa está indo bem. É um dos programas mais relevantes do governo federal”, disse o executivo.
Em relação ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que é uma das principais fontes de recursos para o crédito habitacional no país, a empresa também não enxerga riscos, embora veja a concessão de financiamentos um pouco acima da capacidade orgânica do fundo.
“No curto e médio prazos isso está bem equacionado. O governo tem recursos adicionais que suportam o programa”, disse o executivo.