Tenda (TEND3): Ações caem forte após prévia do 4T25; o que desagradou o mercado?
As ações da construtora Tenda (TEND3) recuam forte nesta segunda-feira (12) mesmo após a companhia ter divulgado, em sua prévia operacional do quarto trimestre (4T25), o cumprimento do guidance para o ano passado.
Por volta das 11h20 (horário de Brasília), os papéis da incorporadora caíam cerca de 5,5% na bolsa de valores, negociados a R$ 23,81, e figurando entre as maiores quedas do pregão. Acompanhe o tempo real.
O que desagradou o mercado?
Apesar dos números recordes, a Tenda apresentou um desempenho “abaixo do esperado” no 4T25, com vendas mais fracas do que o projetado pelo Safra.
Entre outubro e dezembro, a construtora registrou R$ 1,2 bilhão em vendas líquidas, avanço de 24% na comparação anual, mas 14% abaixo da estimativa do banco.
O principal fator, segundo a casa, foi o timing dos lançamentos. Cerca de 36% do valor geral de vendas (VGV) foi lançado apenas na última semana de dezembro, o que reduziu significativamente o tempo disponível para a comercialização dos imóveis dentro do trimestre.
Com isso, o VSO — indicador que mede a velocidade de vendas — ficou em cerca de 24% no 4T25, abaixo do projetado.
A título de comparação, se esses lançamentos tardios forem desconsiderados, a Tenda teria apresentado um VSO de 27%.
De acordo com a própria construtora, a concentração em dezembro ocorreu devido ao atraso na liberação de licenças, concedidas apenas nos últimos dias de 2025.
Lançamentos e Alea
Ao todo, a incorporadora lançou 15 empreendimentos no 4T25, que somaram R$ 1,8 bilhão em VGV — crescimento de 14% em relação ao trimestre anterior e de 11% na comparação anual, mas 11% abaixo do esperado pelo Safra.
Desse total, 14 projetos (R$ 1,7 bilhão) foram da marca Tenda, enquanto apenas um, de R$ 69 milhões, veio da Alea, divisão do grupo de casas pré-fabricadas.
Essa participação reduzida da Alea ocorreu porque uma obra relevante — o Canoas, com R$ 300 milhões em VGV — foi adiada para o primeiro semestre de 2026, fator que também pesou negativamente na leitura do mercado.
Geração de caixa
A empresa também encerrou o quarto trimestre com R$ 960 milhões em recebíveis transferidos a bancos, movimento que tende a apoiar a geração de caixa.
O volume, porém, caiu em relação aos três meses anteriores, mas avançou 42% na comparação anual.
De acordo com o Safra, a queda trimestral está ligada a uma base de comparação mais forte, que contou com a liberação parcial de incentivos estaduais.
Por que o Safra segue otimista
Apesar do desempenho, o Safra avalia que o resultado foi “levemente negativo” mais por uma questão de calendário do que de demanda.
A casa segue confiante na companhia, apoiada principalmente pelos ajustes recentes no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), como o aumento do teto dos preços dos imóveis e a ampliação do público elegível aos subsídios.
O banco, inclusive, reiterou a recomendação de compra (outperform) para as ações da Tenda, sua principal escolha no segmento de baixa renda, com preço-alvo de R$ 41, o que representa uma potencial valorização de 63% em relação às cotações atuais, destacando a melhoria nas perspectivas de lucros da empresa.
“Ainda vemos os papéis sendo negociados a um múltiplo P/L de 5,1 vezes para 2026, a avaliação mais baixa entre os pares de baixa renda.”