‘Termômetro do medo’ de Wall Street dispara mais de 20% e atinge maior nível desde novembro
O VIX (CBOE Volatility Index), indicador que mede a aversão ao risco em Wall Street, também conhecido como o “termômetro do medo”, seguiu em disparada nesta quinta-feira (5) com a escalada das tensões geopolíticas
Durante a sessão, o VIX alcançou 25,84 pontos, no maior patamar desde novembro do ano passado. Por volta de 16h40 (horário de Brasília), o índice registrava um avanço de 21,13%, aos 25,66 pontos. O número acima de 25 pontos é considerado elevado e indica “turbulência” no mercado, comum em cenários de incertezas geopolíticas.
O índice, que mede as expectativas de volatilidade por meio de opções de ações do S&P 500, tem engatado uma sequência de altas consecutivas desde o início da semana em reação ao conflito no Oriente Médio.
No último sábado (28), os Estados Unidos em conjunto com Israel atacaram o Irã, com a confirmação da morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo país persa – sendo uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e responsável pelo escoamento de cerca de um quinto do comércio mundial do óleo bruto.
Em reação, o petróleo tem ganhado força e já opera acima de US$ 80 – o que acendeu um alerta sobre possíveis impactos inflacionários nas principais economias do mundo, em meio as altas taxas de juros, principalmente nos EUA.
Por lá, os juros estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano e a expectativa é de que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) mantenha o nível atual na próxima decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), em 18 de março.
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Wall Street em queda
As bolsas de Wall Street operam em queda nesta quinta-feira (5), acompanhando o temor do mercado em relação a continuidade do conflito no Irã. O índice Dow Jones já perdeu mais de 1 mil pontos, enquanto o S&P 500 e a Nasdaq rondam recuo de cerca de 1%.
Nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que Teerã não pediu um cessar-fogo aos EUA ou a Israel. A missão iraniana na ONU também classificou como “infundada e absurda” a alegação de que o país teria fechado o Estreito de Ormuz.
As declarações aconteceram um dia após o jornal norte-americano The New York Times noticiar que agentes do Ministério da Inteligência iraniano entraram em contato indiretamente com o Centro de Inteligência dos EUA (CIA), oferecendo-se para discutir os termos para o fim do conflito, segundo autoridades a par da situação.
Contudo, a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim disse, ainda ontem (4), que a notícia era “uma mentira absoluta”, citando uma fonte do Ministério da Inteligência iraniano.
De acordo com o Axios, o presidente Donald Trump afirmou desejo de ser envolvido na escolha do próximo líder do Irã, assim como na Venezuela.
Além disso, o governo americano informou ter iniciado contatos com líderes da minoria curda no Irã para fomentar uma revolta contra o regime, segundo o The Washington Post.
Em segundo plano, os investidores repercutem dados do mercado de trabalho dos EUA. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram estáveis em 213.000, em dado ajustado sazonalmente, na semana encerrada em 28 de fevereiro, segundo dados do Departamento do Trabalho do país. Os economistas consultados pela Reuters previam 215.000 pedidos para a última semana.
Há ainda a expectativa pelo relatório oficial de empregos (payroll), que será divulgado amanhã (6). Segundo as projeções compiladas pelo Investing.com, o mercado espera a criação de 65 mil postos de trabalho não-agrícolas em fevereiro após a abertura de 172 mil vagas no mês anterior.