‘Toc, toc, toc’: Criminosos montam rede de golpes na Ásia que tinha até delegacia falsa da Polícia Federal do Brasil
Uma rede internacional de crimes digitais montou uma estrutura digna de filme para aplicar golpes pela internet no Sudeste Asiático. Entre os cenários usados pelos fraudadores estava até uma falsa delegacia da Polícia Federal do Brasil, criada para convencer vítimas de que estavam sendo investigadas por autoridades brasileiras.
A instalação foi encontrada por forças de segurança da Tailândia em um grande centro de fraudes online localizado próximo à fronteira com o Camboja. O esquema funcionava em um complexo ligado a cassinos na cidade fronteiriça de O’Smach.
No local, criminosos montaram salas temáticas para simular instituições oficiais durante chamadas de vídeo com vítimas. Uma delas reproduzia o ambiente de uma delegacia brasileira, com placas, símbolos e mesas semelhantes às usadas em repartições públicas. O cenário era utilizado para dar aparência de legitimidade a golpes que simulavam investigações policiais.
A estratégia fazia parte de um golpe conhecido como “prisão digital”. Nele, fraudadores entram em contato com a vítima por telefone ou aplicativos de mensagem afirmando que ela está envolvida em atividades ilegais. Em seguida, exigem transferências de dinheiro ou informações pessoais para evitar uma suposta prisão.
Durante as chamadas de vídeo, os criminosos apareciam em ambientes que imitavam delegacias ou escritórios governamentais. A encenação — que incluía supostos agentes e documentos — era usada para intimidar as vítimas e aumentar a pressão psicológica para que elas seguissem as instruções dos golpistas.
Autoridades afirmam que o complexo funcionava como uma verdadeira “linha de produção” de fraudes digitais. Várias salas estavam equipadas com computadores, roteiros de abordagem e cenários que permitiam aplicar diferentes tipos de golpes contra vítimas em vários países.
Nos últimos anos, centros desse tipo se espalharam pelo Sudeste Asiático, principalmente em áreas de fronteira e em complexos ligados a cassinos ou zonas econômicas especiais. Esses locais servem como base para operações de fraude que incluem golpes financeiros, falsos investimentos em criptomoedas e esquemas de relacionamento online.
Investigações internacionais também apontam que muitas dessas operações utilizam trabalhadores recrutados com falsas promessas de emprego. Ao chegar à região, parte deles acaba sendo forçada a participar dos golpes sob ameaças e vigilância constante.
A descoberta da falsa delegacia brasileira ocorreu depois que forças de segurança tailandesas passaram a controlar a área onde o complexo funcionava. No interior do prédio, foram encontrados equipamentos, documentos e os cenários utilizados nas fraudes.