Trabalho dos sonhos? Ela ganha R$ 60 mil por mês, vai trabalhar de helicóptero e tem 250 dias de folga por ano
Se houvesse um ranking de “empregos dos sonhos”, ele provavelmente traria um salário alto, poucas horas de trabalho, longos períodos de descanso e uma boa história para contar no happy hour da empresa. A rotina da norueguesa Amalie Lundstad, de 30 anos, atende praticamente a todos esses critérios, com um detalhe essencial: o “escritório” dela fica em pleno mar aberto.
Há quatro anos, Amalie trabalha em uma plataforma de petróleo offshore. Sua remuneração chega a cerca de 1,3 milhão de coroas norueguesas por ano, o equivalente a quase R$ 720 mil. Na conta mensal, o valor pode alcançar R$ 60 mil. E não para por aí: somados, seus períodos de folga ultrapassam oito meses ao longo do ano.
A história de Amalie foi publicada originalmente pelo jornal sueco Expressen e viralizou como exemplo de um trabalho que parece bom demais para ser real.
Como funciona o regime de trabalho
Quando o despertador toca, a manhã de Amalie não se parece com a da maioria das pessoas. Nada de trânsito, metrô cheio ou café apressado antes do expediente.
Ela arruma a mala, tranca o apartamento em Oslo e segue para o aeroporto. O destino final não aparece em aplicativos de viagem: uma plataforma de petróleo no meio do Mar do Norte.
O caminho envolve um voo até Bergen, exames médicos obrigatórios e, por fim, um helicóptero que pousa em uma estrutura metálica cercada de água por todos os lados. Ali, Amalie passa 14 dias consecutivos trabalhando, com turnos que começam às 6h15 no período diurno ou às 18h15 no noturno, antes de descansar por quatro semanas inteiras.
É nesse ritmo intenso de idas e vindas que o trabalho garante até 250 dias de folga por ano.
“Nenhum dia é igual ao outro”, resume.
O que ela faz na plataforma de petróleo
Antes da vida offshore, Amalie teve outras ocupações. Atuou como bombeira, enfrentou emergências e percebeu cedo que rotina e previsibilidade não combinavam com seu perfil.
Formada em química industrial, encontrou no setor offshore uma combinação rara: desafio técnico, alta remuneração e um estilo de vida fora do comum.
Na plataforma, trabalha como técnica de processos, responsável por monitorar e operar os sistemas produtivos. O dia começa com a reunião de troca de turno, seguida de rondas técnicas e da preparação das atividades previstas.
Tudo é rigidamente padronizado e nada acontece sem dupla checagem. “Sempre trabalhamos em pares. Um confere o trabalho do outro”, explica. A razão é simples: ali circulam enormes volumes de energia e pressão em tubulações que transportam petróleo e gás.
Academia, simulador de golfe — e cansaço
Fora do expediente, quem vive na plataforma tenta compensar o isolamento em alto-mar. Há academia, sala de TV, sala de jogos, simulador de golfe e até simulador de caça. Também é possível pescar.
Na prática, porém, o cansaço costuma falar mais alto. “Muitas vezes estamos exaustos depois do turno”, conta.
Um ambiente ainda majoritariamente masculino
Amalie não é a única a viver nesse modelo, mas está entre as poucas mulheres da plataforma — algo comum no setor de petróleo. Segundo ela, isso já deixou de ser um problema. “É uma boa mistura de pessoas de diferentes países e idades, mas a maioria ainda é de homens.”
O ambiente, diz, tende a ser direto e funcional. Mesmo assim, ela defende mais diversidade. “Acho importante ter variação para um ambiente de trabalho melhor.”
Um trabalho que envolve riscos
Os altos salários e as longas folgas têm uma explicação: o perigo. Trabalhar em plataformas de petróleo está longe de ser inofensivo. Entre 2014 e 2019, 409 trabalhadores morreram em plataformas de petróleo e gás apenas nos Estados Unidos, segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC).
Por isso, a segurança é tratada como prioridade absoluta. “Tudo é rigidamente controlado”, afirma Amalie. Além de treinamentos frequentes, todos sabem como agir em emergências, e há sempre uma enfermeira a bordo. Ex-bombeira, ela também integra a equipe de resposta a incidentes.
Ainda assim, o risco nunca é totalmente eliminado.
E quando ela está em terra firme?
Durante os longos períodos de descanso, Amalie tenta compensar o tempo longe de casa. Viaja, reforma o apartamento com o namorado, trabalha em um motorhome e mantém um podcast como hobby.
Ela também administra um perfil no Instagram com quase 110 mil seguidores, onde mostra a rotina offshore, viagens e treinos.
“Muita gente me pergunta como conseguir um emprego assim”, conta.
Vale a pena trabalhar em uma plataforma de petróleo?
Amalie recomenda a carreira, mas faz ressalvas. “É importante escolher o trabalho pelo motivo certo, não apenas porque parece atraente nas redes sociais.”
A função implica perder feriados, aniversários e datas importantes com a família, além de exigir preparo físico e mental.
Ainda assim, para quem gosta de viajar, suporta pressão e busca uma trajetória fora do padrão, ela resume sem rodeios: “É um emprego fantástico.”