Trading: o que são contratos futuros e como funcionam?
Nos contratos futuros, duas partes combinam, com antecedência, o preço de um ativo que será liquidado em uma data futura, com negociações realizadas em bolsa. Na prática, em vez de trocar o ativo na hora, o investidor define hoje quanto pagará ou receberá lá na frente.
Esses contratos fazem parte do mercado de derivativos, ou seja, seu valor depende de outro ativo, como dólar, Ibovespa (IBOV), juros ou produtos agrícolas. Ao entrar nesse mercado, o investidor pode se posicionar esperando uma alta (compra) ou uma queda (venda) de preços, buscando ganho com essas oscilações.
Cada contrato tem um tamanho definido pela bolsa, que indica o quanto ele representa em dinheiro. Esse fator influencia diretamente o risco e o potencial de retorno da operação.
No caso do Ibovespa:
- O contrato cheio acompanha R$ 1 por ponto do índice;
- O minicontrato corresponde a R$ 0,20 por ponto.
Os minicontratos surgiram como uma porta de entrada para pessoas físicas. Eles exigem menos capital inicial e permitem uma exposição menor, mas seguem a mesma lógica dos contratos maiores.
Mini índice e mini dólar
Entre os exemplos mais negociados estão o mini índice e o mini dólar. Esses ativos costumam atrair investidores iniciantes por conta da alta liquidez, o que também aumenta a volatilidade e cria mais oportunidades de operação ao longo do dia.
“Por exemplo, um mini índice subiu 1.000 pontos na abertura, mas logo depois ele caiu 800. A cada virada dessa, se o trader está com uma técnica eficaz, ele terá uma chance”, afirma a trader e influenciadora Paula Reis, conhecida nas redes sociais como “Mulher Trader”.
Ela ressalta que operações curtas também existem no mercado de ações, mas, nesses casos, os custos tendem a ser maiores e as variações de preço, menores ao longo do pregão.
Para que servem os contratos futuros?
Eles têm dois usos principais:
- Proteção: empresas e produtores usam esses instrumentos para reduzir o impacto de oscilações. Um exportador, por exemplo, pode se proteger contra a queda do dólar.
- Estratégia de ganho: investidores buscam aproveitar a variação de preços no curto prazo.
E como funcionam?
O funcionamento segue uma sequência:
1. Entrada na operação
O investidor escolhe se quer comprar ou vender e envia a ordem pela corretora.
2. Margem de garantia
É necessário depositar um valor como garantia. Ele serve para cobrir possíveis perdas.
3. Ajuste diário
Todos os dias, a bolsa recalcula o valor da posição. Se o mercado se move a favor, há crédito; se vai contra, há débito.
4. Reforço de margem
Se o saldo não cobre as perdas, a corretora pode exigir mais recursos.
5. Encerramento
O investidor pode sair antes do vencimento ao fazer a operação oposta. Caso contrário, o contrato segue até a data final.
Quais são os riscos?
O principal ponto de atenção está na alavancagem — mecanismo que permite operar valores maiores do que o capital disponível.
Paula Reis explica que esse efeito pode pesar contra o investidor. Ela exemplifica: “R$ 150 no mini dólar significa que se ele andar 15 pontos contra a operação, já comeu toda a margem depositada na alavancagem. E aí vai fazer uma coisa que a gente chama de ‘stopar’ pela corretora. A zeragem automática.”
Nesse caso, o investidor é retirado da posição por falta de garantia. Além disso, pode haver cobrança de taxa pela zeragem. Essa dinâmica pode levar a um ciclo de perdas e novos aportes.
Apesar dos riscos, especialistas veem os minicontratos como ponto de partida. Segundo Lucas Costa, head de análise técnica do BTG Pactual, o ideal é começar pequeno e avançar gradualmente: “Com um minicontrato, você pode entender o mercado, sentir o mercado, se conhecer e entender os seus comportamentos quando você está ganhando ou perdendo.”
Leia mais sobre Trading:
- Trading: conheça as principais estratégias e como escolher a mais adequada para o seu perfil – Money Times
- Day trade ou swing trade? Entenda as diferenças antes de escolher sua estratégia – Money Times
*Sob supervisão de Vitor Azevedo