Entrevista

Treasuries acima de 5% e S&P 500 em recorde: por que JPMorgan segue otimista com Wall Street

16 out 2026, 7:00
Marina Valentini, estrategista de mercados globais do JPMorgan Asset Management
Marina Valentini, estrategista de mercados globais do JPMorgan Asset Management (Foto: Divulgação/JPMorgan)

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, de longo prazo estão nos níveis mais altos desde meados de 2002. Ao mesmo tempo, Wall Street também opera nas máximas históricas.

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Na semana passada, por exemplo, o S&P 500 superou os 7.800 pontos pela primeira vez e encerrou o pregão do último dia 6 em recorde nominal histórico, aos 7.818,93 pontos. No mesmo dia, o Nasdaq também terminou as negociações no maior patamar de fechamento, aos 27.599,79 pontos.

Em linhas gerais, quanto mais os rendimentos dos Treasuries avançam na parte longa da curva, maior tende a ser a volatilidade nos mercados acionários. Em outras palavras, os rendimentos dos Treasuries mais altos tendem a ser mais ‘atrativos’ e a ‘drenar’ dólares do mercado acionário – mas não é isso que vem acontecendo.

Para Marina Valentini, estrategista de mercados globais da JPMorgan Asset Management, os yields de longo prazo próximos a 5% “ainda não são suficientes para comprometer a perspectiva positiva para as ações”, considerando que esse patamar deve se tornar “um novo novo normal” nos mercados.

“Continuamos vendo um ambiente de crescimento de lucros muito forte para o S&P 500 neste ano. O mercado espera crescimento de lucro de 32% para o S&P neste ano e de 15% para o ano que vem. Esse forte motor para as ações americanas, que são os lucros, continua com perspectivas excelentes”, afirmou Valentini, em entrevista exclusiva ao Money Times.

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Na avaliação da estrategista, o nível de endividamento das empresas do S&P 500 também ajuda a limitar os efeitos de eventuais novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA). “Vemos as empresas listadas no índice com um nível de endividamento menor na parte mais curta da curva. Então, uma ou duas altas de juros pelo Fed não têm um impacto tão grande”, avaliou.

Embora não tenha uma projeção para o S&P 500, a estrategista destaca que as expectativas de forte crescimento dos lucros do mercado dão “uma boa ideia” dos resultados das empresas em 2026 e 2027, além das perspectivas a longo prazo.

Onde investir, segundo a JPMorgan Asset

Nesse cenário de yields dos Treasuries de longo prazo acima de 5% e perspectiva de juros altos por mais tempo na maior economia do mundo, a JPMorgan Asset tem preferência por empresas ‘de qualidade’, consideradas mais resilientes a juros elevados, e companhias ligadas a tendências estruturais de crescimento.

O banco também aposta em setores e empresas relacionados a temas estruturais, como inteligência artificial, tecnologia e avanços na área de saúde, que podem se beneficiar de maior gasto fiscal nos Estados Unidos. “São temas mais idiossincráticos aos juros”, afirma a estrategista Marina Valentini.

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A estratégia também passa por uma gestão mais ativa dos investimentos e por uma carteira equilibrada entre ações de crescimento, conhecidas como growth, e papéis de value – com destaque para o setor financeiro, que tende a ter menos sensibilidade à alta dos yields e também consegue navegar melhor no cenário atual.

“É preciso ter muito mais equilíbrio nas carteiras agora: equilíbrio entre growth e value, mais gestão ativa e preferência por ações de qualidade”, afirmou Valentini.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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