Trump contra Powell: Parlamentares republicanos mostram preocupação com investigação e impacto no Fed
Um número crescente de parlamentares republicanos expressou preocupação nesta segunda-feira (12) com a ameaça do governo Trump de indiciar o chair do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), Jerome Powell.
Dois senadores ameaçaram retaliar bloqueando os indicados do presidente Donald Trump para o banco central e um terceiro pediu que a investigação federal termine rapidamente.
A questão, segundo os senadores, era a confiança no Fed, o banco central mais importante do mundo, que define as taxas de juros nos EUA. Ele é visto pelos investidores globais como uma força independente fundamental para ajudar a administrar a economia em meio a turbulências políticas e de outro tipo.
O senador Thom Tillis foi o primeiro a anunciar planos para resistir à investigação criminal do Departamento de Justiça dos EUA, que se tornou pública na noite de domingo. Outros republicanos importantes se manifestaram nesta segunda-feira sobre a preocupação de que Trump esteja interferindo na independência tradicional do banco central.
A investigação diz respeito a alegações de que Powell teria enganado o Congresso em um depoimento relacionado a uma reforma do complexo da sede do Fed em Washington.
O senador Kevin Cramer, republicano integrante do Comitê Bancário do Senado, criticou os custos excessivos desse projeto e o desempenho de Powell como chefe do Fed, mas acrescentou: “Não acredito, entretanto, que ele seja um criminoso. Espero que essa investigação criminal possa ser encerrada rapidamente, juntamente com o restante do mandato de Jerome Powell. Precisamos restaurar a confiança no Fed.”
A senadora republicana Lisa Murkowski deu seu apoio ao plano de Tillis de bloquear os indicados de Trump para o Fed em resposta às notícias sobre a investigação criminal de Powell. Assim como Cramer, Tillis também é membro do Comitê Bancário do Senado.
Reações sinalizam ruptura
As reações dos parlamentares apontaram para mais uma possível ruptura entre o governo Trump e os republicanos no Congresso, que, em grande parte, têm demonstrado lealdade ao presidente, mas divergiram dele recentemente por causa da divulgação de arquivos sobre o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, o ataque dos EUA à Venezuela e os subsídios para a saúde. Trump disse que não pediu ao Departamento de Justiça que agisse contra Powell.
O chair do Fed chamou a medida de “pretexto” para ganhar mais influência sobre a definição das taxas de juros. A ameaça de indiciamento é a mais recente do esforço de Trump para pressionar o Fed a reduzir drasticamente as taxas.
A notícia da investigação levou o ouro a uma nova alta nesta segunda-feira, com perda de valor do dólar. O índice S&P 500 abriu em baixa, mas estava com leve alta nas negociações da tarde.
Até mesmo alguns partidários de Trump expressaram reservas sobre a investigação criminal do presidente do Fed. “Temos questões mais importantes para resolver do que essa”, disse o senador Roger Marshall, republicano do Kansas, ao programa “Mornings with Maria”, da Fox Business Network.
Powell ganha elogious e apoio
Na Câmara dos Deputados dos EUA, o presidente do Comitê de Serviços Financeiros, French Hill, elogiou a integridade de Powell e advertiu que as acusações criminais representavam “uma distração desnecessária” que poderia prejudicar a capacidade do banco central de tomar decisões sólidas de política monetária.
Mas o presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Mike Johnson, disse que reservaria seu julgamento e deixaria que a investigação se desenrolasse. “Se o chair Powell for inocente, ele poderá provar isso e tudo será esclarecido”, disse o republicano da Louisiana aos repórteres.
Outros expressaram apoio às ações do governo Trump. A deputada Anna Paulina Luna, uma aliada linha-dura de Trump, assumiu na plataforma de mídia social X o crédito por encaminhar Powell ao Departamento de Justiça para uma investigação criminal em julho. “Este é o caminho”, escreveu a republicana da Flórida. Não ficou claro se sua ação teve algum papel no lançamento da investigação.
O chair do Fed chamou a ação do Departamento de Justiça de “pretexto” para a Casa Branca ganhar mais influência sobre a definição das taxas de juros, que Trump argumenta que deveriam ser mais baixas para estimular a economia.
Democratas disseram que as ações do governo Trump tinham como objetivo final ajudar os republicanos nas eleições de meio de mandato em novembro, que determinarão qual partido controlará a Câmara e o Senado nos dois últimos anos do mandato de Trump.
A senadora Elizabeth Warren, a principal democrata do Comitê Bancário do Senado, acusou Trump de armar o Departamento de Justiça “à vista de todos” para forçar o órgão independente a tomar decisões políticas para ajudar os republicanos nessas eleições, “mesmo que isso tenha consequências desastrosas de longo prazo para nossa economia e também para nossa estrutura econômica”.