Inflação

Trump diz que “não tem nenhuma preocupação” com aumento dos preços da gasolina por conflito no Irã

06 mar 2026, 6:48 - atualizado em 06 mar 2026, 6:48
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"Se subir, subiu", disse Trump quando questionado sobre o preço da gasolina (Reuters/Evelyn Hockstein)

O presidente Donald Trump disse na quinta-feira (5) que não estava preocupado com o aumento dos preços da gasolina nos Estados Unidos provocado pela ampliação do conflito com o Irã, afirmando à Reuters, em uma entrevista exclusiva, que a operação militar dos EUA era sua prioridade.

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“Eu não tenho nenhuma preocupação com isso”, disse ele, quando questionado sobre os preços mais altos nas bombas. “Eles vão cair muito rapidamente quando isso acabar, e se subirem, subiram, mas isso é muito mais importante do que o preço da gasolina subir um pouquinho”.

Os comentários marcam uma mudança de tom do presidente, que destacou a queda nos preços da gasolina em seu discurso sobre o Estado da União no mês passado e em um comício no Texas focado em energia, realizado apenas algumas horas antes de os Estados Unidos lançarem seus ataques aéreos no sábado.

Analistas políticos dizem que um aumento persistente nos preços da gasolina pode prejudicar os republicanos nas eleições legislativas de meio de mandato em novembro, quando o controle do Congresso dos EUA estará em jogo. Os eleitores já estão insatisfeitos com o alto custo de vida e com a condução da economia por Trump.

Apesar dos esforços públicos de Trump para minimizar o aumento dos preços, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e o secretário de Energia, Chris Wright, entraram em contato com executivos de empresas de petróleo para avaliar possíveis opções de combate ao aumento dos preços da energia, disse na quinta-feira a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.

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Outro funcionário da Casa Branca, falando sob condição de anonimato, disse que houve uma corrida entre as equipes de energia e de segurança nacional da Casa Branca para desenvolver medidas destinadas a reduzir os preços da gasolina.

Segundo esse funcionário, Wiles alertou em reuniões na Casa Branca que a falha em agir diante do aumento dos preços seria “catastrófica” para os republicanos nas eleições.

Trump delineou um cronograma de quatro a cinco semanas para a campanha militar contra o Irã, mas especialistas políticos e militares questionaram esse prazo, observando que o governo dos EUA ainda não articulou seu objetivo final enquanto o conflito continua a se espalhar pela região e além.

Na entrevista, Trump disse que não pretende recorrer à Reserva Estratégica de Petróleo — o maior estoque emergencial de petróleo bruto do mundo — e afirmou estar confiante de que o Estreito de Ormuz, canal crítico para o transporte de petróleo próximo ao Irã, permanecerá aberto porque a marinha iraniana está “no fundo do mar”.

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Os preços globais do petróleo subiram 16% desde que a guerra começou no sábado, à medida que a expansão do conflito interrompeu os fornecimentos do Oriente Médio.

O custo médio nacional da gasolina subiu 27 centavos desde a semana passada, chegando a US$ 3,25 por galão, segundo a AAA, uma organização de viagens dos EUA que acompanha os preços dos combustíveis. A média nacional atual é 15 centavos maior do que há um ano.

Trump disse que os custos “não subiram muito”.

Casa Branca aposta em campanha curta

A Casa Branca aposta que o conflito com o Irã — e a consequente dor no bolso nas bombas de combustível — será de curta duração.

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Conselheiros de energia da Casa Branca disseram a assessores de Trump que o choque inicial nos mercados de combustível foi menos severo do que muitos temiam e pediram paciência, segundo duas pessoas que receberam anonimato para descrever as deliberações internas.

Os conselheiros alertaram que qualquer intervenção do governo Trump que não consiga reduzir rapidamente os preços pode abalar os mercados e acabar sendo contraproducente.

O secretário de Estado Marco Rubio disse no início da semana que o governo estava preparando um pacote de medidas para combater o aumento dos preços da energia, mas o único plano anunciado até agora é um seguro de risco para petroleiros apoiado pelos EUA e a promessa de possíveis escoltas navais pelo Estreito de Ormuz.

Três executivos do setor de energia disseram à Reuters que a Casa Branca tem poucas opções realmente eficazes para reduzir os preços da energia.

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“Quando você analisa o conjunto de opções de políticas, seja no âmbito doméstico ou em outros países, elas podem ajudar, mas não mudam muito o cenário”, disse um executivo do setor de energia, falando sob condição de anonimato para poder comentar com franqueza sobre as políticas do governo. “Acho que o foco principal é fazer o que puderem para restaurar o trânsito pelo próprio Estreito de Ormuz”.

Autoridades também discutem uma ampla gama de outras opções, incluindo uma suspensão temporária do imposto federal sobre a gasolina e o afrouxamento das regulamentações ambientais sobre a gasolina de verão, o que permitiria maiores misturas de etanol, segundo duas fontes familiarizadas com as discussões internas.

As autoridades também estavam considerando uma possível liberação de petróleo da Reserva Estratégica, disseram as fontes, mas o presidente descartou essa opção — pelo menos por enquanto — em seus comentários à Reuters.

Líderes republicanos no Congresso, como o presidente da Câmara, Mike Johnson, também minimizaram as preocupações com o aumento dos preços da gasolina, mesmo enquanto o partido planeja concentrar sua estratégia eleitoral de meio de mandato nos sucessos econômicos.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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