Tupy (TUPY3): Presidente do conselho renuncia; empresa pauta reforma no estatuto
O presidente do conselho de administração da Tupy (TUPY3), Jaime Luiz Kalsing, irá deixar o cargo. Segundo fato relevante divulgado nesta segunda-feira (28), Kalsing renunciou por motivos de foro íntimo. Para o seu lugar, foi indicado Gueitiro Matsuo Genso, atual diretor vice-presidente de estratégia, novos negócios, inovação e M&A da companhia.
A empresa defende que Gueitiro possui vasta experiência em posições executivas e conselhos de administração. Na Tupy, foi presidente do conselho de administração entre 2019 e 2021, integrou o CEISus e, desde 2024, faz parte da diretoria estatutária, tendo exercido também as funções de diretor de relações com investidores e diretor-presidente interino.
Mas Kalsing não deixará a empresa. O conselho manifestou sua intenção de nomeá-lo como membro externo do Comitê de Estratégia, Inovação e Sustentabilidade (CEISus) após a eficácia de sua renúncia, condicionada à conclusão da avaliação dos requisitos aplicáveis.
“O conselho entende que a atuação do Sr. Jaime no CEISus contribuirá para a preservação da memória institucional e estratégica da Companhia e para a continuidade das reflexões de longo prazo que subsidiam a atuação do colegiado”.
Reforma do estatuto da Tupy
Envolta em críticas em relação às indicações de conselheiros e do próprio CEO, a Tupy também irá pautar uma proposta de reforma do Estatuto Social destinada a incluir critérios de elegibilidade aplicáveis aos membros do conselho de administração e da diretoria.
O antigo CEO, Rafael Lucchesi, foi eleito em março do ano passado em meio a acusações de ingerência política.
Sua indicação foi questionada por acionistas minoritários, que apontaram falta de experiência operacional e possível viés político, dada sua ligação com o BNDES.
À época, em entrevista à Folha de S.Paulo, Camilo Marcantonio, fundador e diretor de investimentos da Charles River Capital, acionista minoritária da Tupy, afirmou que a trajetória de Lucchesi não era típica de um executivo da indústria.
Além disso, quatro ministros do governo Lula foram indicados pelo BNDESPar para cargos no conselho da Tupy, o que também gerou críticas de investidores.
O BNDES, junto com o fundo de previdência do Banco do Brasil, controla a companhia.